yoga mais a fundo

 

O que é comum aos vários estilos de yoga que conhecemos?

Basicamente a intenção de entender melhor a máquina humana. A saber:

O corpo: ossos órgãos, nervos, músculos, tendões, articulações, processos respiratórios e alimentares (como a mastigação, digestão e eliminação).

 

A mente: todo o processo de elaboração de temas, os recursos intelectuais que temos para desenvolver uma ideia. As influências que o meio exerce sobre nós, e as “verdades” que recebemos por osmose da família e do grupo étnico ao qual pertencemos.

 

As emoções: nossas reações emocionais diante dos desafios, perigos, ameaças, conquistas, alegrias, realizações e muito mais.

 

Princípio vital: a percepção consciente do quanto utilizamos nossa vitalidade, ou seja, se estamos simplesmente gastando energia ou se estamos usufruindo da vida.

 

A meu ver, é isso que existe em comum entre os cinco tipos de yoga – Hatha, Jnana, Bkakti, Karma e Raja. Cada uma delas busca este entendimento por caminhos diferentes.

Por exemplo, no Hatha yoga fazemos exercícios físicos; no Jnana-yoga estuda-se cientificamente o funcionamento da máquina humana; no Bhakti yoga procura-se o entendimento através da religião; no Karma yoga, dedica-se ações da vida cotidiana à busca de de um maior entendimento; e no Raja yoga, através de técnicas meditativas o praticante investiga o funcionamento do ser.

Quando iniciamos a prática de yoga, ela nos mostra o que sabemos sobre nós de acordo com as influências que sofremos durante nossa formação, ou seja, a visão comum sobre nós mesmos e a vida. Mas o objetivo é que possamos usar esta ferramenta para descobrir o que significa para nós, em particular, cada um desses processos, já que somos seres únicos, com percepções únicas. Se cada partícula em nós é única, então por que vivemos de maneira genérica? A partir de reflexões como essa é que começa realmente o processo de união, proposto pelo yoga. É quando começam também as dificuldades, pois para chegar até aí já não terá sido fácil. Teremos que praticar yoga sistematicamente, todo santo dia, até começar a entender do que se trata essa ferramenta tão poderosa.

Ao começar a entender como funcionamos, vamos ficando ainda mais confusos com o que parece ser certo para nós ou não. Neste momento é que decidimos se vamos nos tornar reais praticantes de yoga ou se continuaremos simplesmente treinando o corpo físico, sem aprofundar tanto quanto este recurso nos permite.

O praticante percebe que suas percepções agora têm que sair da sala de prática e acompanhá-lo também na vida. Começa, então, uma nova jornada – agora, com o praticante no papel de observador consciente de si mesmo.

Com a prática, entendemos que yoga não é uma postura externa, mas sim a coragem de olhar para dentro de si mesmo, deixando de lado toda opinião que temos acerca dos acontecimentos externos que não nos pertencem e nos focando única e exclusivamente em como agimos, sentimos e usufruímos das nossas oportunidades. Com isso, vamos percebendo que estamos ainda tão distantes do entendimento de nós mesmos, que começamos a desenvolver um olhar mais acolhedor em relação às diferenças. O yoga nos dá esta oportunidade e nos fornece recursos para aprimorarmos nossas percepções. O que precisamos é disciplina para continuar o processo de aprendizado proposto.

Assim, espero poder contribuir para que outros possam entender o yoga de maneira menos mística e mais prática.

 

OM SHRI GHANESHAYA NAMAHA