Há dois meses uma revista médica de alto impacto publicou os resultados de uma pesquisa realizada entre pacientes com mais de 65 anos sobre os motivos pelos quais cada um fazia os exames de prevenção. A resposta foi surpreendente, a maioria admitiu que fazia check-up por que os filhos mandaram. Por iniciativa própria, eles não fariam.

Há poucos dias o Estadão reproduziu em seu site o artigo publicado no The New York Times “Jovem demais para morrer, velho demais para se preocupar” do médico e professor americano Jason Karlawish, (http://vida-estilo.estadao.com.br/noticias/comportamento,jovem-demais-para-morrer-velho-demais-para-se-preocupar,1566806) que abordou a questão com maestria. Logo no início do texto, o médico cita a frase do músico Leonard Cohen, sobre o que o motivou a voltar a fumar aos 80 anos de idade. A resposta é emblemática. “É a idade certa para recomeçar”, explicou.

Atitude certa ou errada? Não cabe julgá-lo, mas é importante fazer uma reflexão. Por que a atual geração de “adultos jovens” trata seus pais como incapazes? Será que um senhor de 80 anos não tem capacidade de decidir o que quer fazer com os anos de vida que tem pela frente? Salvo os longevos que perderam a capacidade de decisão, em virtude de algumas doenças, o idoso precisa ser ouvido.

A questão sobre prevenção a ser levantada é: quais exames são necessários e recomendados para o meu estágio de vida?

Essa é a pergunta que vocês – longevos ou filhos de longevos – devem fazer aos médicos.

Discutir um pouco de filosofia e a finitude da vida não faz mal e é preciso saber o que se quer antes de sair por aí correndo em busca de todos os novos exames que existem. Como diz o autor do artigo citado acima: “Nosso desejo é buscar não apenas a vida, mas a felicidade. A medicina é importante, mas não é o único meio para chegar a ela” ou como diz um provérbio alemão: “Não adianta correr, se você estiver na direção errada.”