Hoje o meu convidado é o Dr. Ricardo Nahas, coordenador do Centro do Exercício e do Esporte do Hospital 9 de Julho.

O envelhecimento da população é reflexo do avanço da medicina e uma das grandes conquistas da tecnologia que norteia a todos nós nos dias de hoje. Deve-se destacar nesse processo as boas condições de higiene e saúde pública que se difundiu e tornou-se acessível às populações do mundo civilizado, principalmente.

Claro que tudo tem seu preço e o mais caro de todos são as diversas demências com as quais passamos a conviver à medida que a idade bate recordes de longevidade. Recordes que eram notícia e agora vivem e convivem ao nosso redor, começam a revelar a tragédia (para muitos) de mentes brilhantes se esvaindo pelos caminhos da falta de memória e de raciocínio.

A evolução tecnológica sempre se fez através de desafios e esse é um dos bem grandes: como garantir a longevidade com qualidade? Cientistas do mundo inteiro, ligados a grandes e poderosas indústrias farmacêuticas, se lançaram em pesquisas e experimentos com as mais diversas drogas para encontrar uma solução para a cura ou mesmo para retardar o aparecimento dessas demências. Poucos foram os bons resultados até agora, infelizmente.

Nesse ponto da evolução da espécie e diante desses fatos, sempre teremos os pessimistas de plantão programando voltar a fumar, comer picanha com “aquela” gordura até então dispensada, deitar no sofá com todas as gorduras trans e cervejas possíveis e pilotar o controle remoto horas sem fim. Mas não é que foi exatamente esse grupo que encontrou o melhor caminho para enfrentar esse problema?

Pois bem, os cientistas ficaram curiosos para saber porque grupos de populações exibiam mais ou menos demências a medida que a população deixava de morrer por problemas de saneamento e doenças transmissíveis e passavam a morrer de “velhice” mesmo, ou seja, morte natural por ter chegado ao fim da vida.

Essa comparação trouxe a boa notícia: aqueles que tem uma boa circulação arterial vivem com mais qualidade inclusive para as atividades intelectuais. Provou-se também que aqueles neurônios que sumiam, morriam e eram em menor número na velhice (células cerebrais responsáveis pelo comando das funções, inclusive intelectuais) poderiam se regenerar e aumentar de número dando vida à chamada “melhor idade”.

E a receita é simples: saia do sofá e coloque o controle remoto no seu lugar, dispense as gorduras trans, volte a fazer uma dieta racional, ou seja, sem abusos mas também sem sacrifícios, visite seu médico regularmente e pratique exercícios regulares.

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Mas essa história de vida saudável é a grande novidade? Sim e não!

A grande novidade é que se provou que tudo isso e, principalmente, os exercícios regulares, tornam as artérias muito mais permeáveis e com maior calibre, aumentando o volume de sangue que vai até o cérebro, melhorando o raciocínio e a memória nesse grupo ativo quando comparada com o grupo “sofá-controle remoto-gordura trans”.

Seguramente o mito do sumiço das células cerebrais dos mais velhos está caindo e o caminho para as demências é a prevenção onde o exercício regular tem seu lugar de honra como agente terapêutico. Viva mais e melhor.