Nos dias de hoje, as possibilidades de detecção precoce e novas terapêuticas têm permitido uma efetiva diminuição nas taxas de mortalidade dos mais diversos tipos de câncer.

Estudos demonstram que em 2040, teremos nos Estados Unidos, 26 milhões de sobreviventes ao câncer. A maioria com mais de 60 anos. Precisamos falar sobre os cuidados desse perfil de pacientes. Na minha opinião, eles devem ser integrados e holísticos, com uma atenção especial a qualidade de vida desse idoso o que muitas vezes traz outros desafios além do tratamento do câncer em si. 

Cada tipo de câncer merece acompanhamento individualizado, feito por profissional especializado que indicará qual a rotina específica de exames. Precisamos estar atentos ao número de consultas e exames realizados. Em excesso, podem ser prejudiciais, pois podem causar um estresse psicológico nos pacientes idosos muitas vezes desnecessários e ainda pouco calculados pelos estudos. Mas, realizar menos exames do que o solicitado também é perigoso. Por isso, é fundamental que o médico apresente a régua ajustada, para que o controle seja feito de forma correta, e os familiares ou cuidadores entendam que tudo é baseado em evidências científicas. 

Além disso, médicos devem sempre estar atentos aos sintomas que podem ser consequências específicas de um tumor já controlado, mas que deixou algumas cicatrizes que comprometem a qualidade de vida do idoso e não podem ser vistos pelo paciente como  

Cansaço, insônia, disfunções sexuais são alguns exemplos dos aspectos médicos, mas há outros, não médicos, mas muito importantes como o relacionamento com familiares e amigos, readaptação a uma vida ativa, dificuldades financeiras, recolocação no trabalho. 

Muitas vezes, o cenário não é fácil, mas é necessário estimular o paciente para que retomem a vida. Readaptar a alimentação, lembrando que a obesidade está conectada a estímulos de alguns cânceres, assim como voltar a fazer atividades físicas aeróbicas e anaeróbicas, de forma adaptada e programada de acordo com a capacidade individual de cada um são exemplos importantes. 

E, não menos importante, é hora de cuidar dos cuidadores. Dar atenção a eles. Focar no seu cuidado que foi esquecido durante toda a doença do ente querido, reorganizar as funções da casa, do casal e da vida. Reorganizar a vida e a família. 

O cuidado integrado do oncologista com um médico de referência parece a composição ideal, assim como a atuação dos colegas da psicologia, nutrição e da medicina do esporte. Um time preparado para cuidar integralmente dos que sobrevivem ao câncer, mas que ainda precisam de ajuda e apoio para que viverem mais e melhor!