Hoje meu convidado é o Dr. Ricardo Nahas, médico do esporte e coordenador do Centro de Medicina do Exercício e do Esporte do Hospital 9 de Julho.

É muito bom envelhecer de maneira saudável, mantendo-se ativo e participativo. Além de ir e vir sem ter que dar satisfação a ninguém, sem necessidade de ter alguém para nos amparar ou fazer nossas tarefas e obrigações. A sensação de liberdade é ótima, não é mesmo?

Prótese de joelho é o fim do mundo?

Mas (e sempre tem um “mas”) aquela que era uma  “dorzinha” no joelho vem aumentando e as coisas começam a ficar difícil de serem feitas. Já não damos mais conta de todas as tarefas diárias, ficamos mais tempo na cama do que deveríamos e evitamos ficar em pé. E que dirá fazer alguma coisa fora de casa: extremamente doloroso!

Humm! Começamos a passar o dia só pensando naquilo: como dói meu joelho. Meu neto não vem mais me ver pois não o levo mais para passear e só reclamo da dor que vem aumentando diariamente.

Aí percebe-se que ou o sabão para lavar a roupa está fazendo com que elas fiquem menores ou o manequim mudou e para números maiores.

E a dor? Continua aumentando na proporção em que o peso sobe. Está na hora de procurar ajuda.

Primeira providência: perguntar para a vizinha como ela lidou com a dor que, sim, ela reclamava diariamente até que você desistiu de visitá-la pois ela não saía mais do sofá e da televisão.

Ops, agora ela que desistiu de ir até a sua casa pois foi ver o neto, passear com os filhos, viajar. Solícita, ela conta sua história de anos de peregrinação atrás das dores e dos “milagres” que seriam a solução. Até que foi ao médico e operou o joelho.

Bem, então vamos ver o doutor e com ele a esperança de dias melhores. A sentença: você tem uma artrite degenerativa de joelho que dói muito e compromete a função. Nenhuma novidade, certo?

Mais ou menos. A novidade vem por conta do tratamento para uma doença que progressiva, incapacitante e irreversível: você terá que trocar toda a articulação!

Aí vem o pensamento do pessimista: Meu Deus, é o fim do mundo. O copo com água está meio vazio. Como vou fazer? E se não der certo? E se a anestesia não der certo? E se eu nunca mais andar? Com quem vou deixar o cachorro? E tantas outras “preocupações” que de repente surgem como manchetes nos melhores jornais da cidade.

E aí vem o pensamento do otimista: vou ficar livre das minhas dores e vou voltar à minha vida de antigamente, passeando com meus netos, viagens e visita a lugares que nunca imaginei conhecer, vou visitar parentes distantes e, quem sabe, tomar um refrigerante com minha vizinha na doceira de sempre, abandonada por ficar “dolorosa” para ir até lá.

A escolha é difícil? Depende de você. É um risco? Claro que sim. Como atravessar a rua, voltar para casa sem ser assaltado, viajar de avião.

Pensar na alternativa é sempre interessante. E você, otimista, verá que a alternativa já foi relatada pelo seu outro vizinho, o pessimista. A cirurgia assusta? Sim, como toda cirurgia. Prevê riscos calculados e minimizados na escolha de um bom cirurgião, bom hospital com a enfermagem adequada e material de primeira qualidade.

Mas, Doutor, pode dar errado? Tudo que fazemos na vida pode dar errado. Até vivermos negligenciando a saúde ao longo dos anos que nos trouxe como “puxão de orelha” uma artrite degenerativa de joelho que dói muito, me deixa em casa, chega até a dificultar ou mesmo impedir a higiene pessoal que quando feita exige grande esforço e passa a contar com a ajuda dos amigos, parentes ou empregados.

E quando você olhar pela janela vai ver a vizinha toda arrumada para ir sozinha à sua rotineira visita ao médico e depois um cinema com as amigas de longa data. Viva mais e melhor.