No momento, todos devemos respeitar o isolamento imposto pelo governo do Estado. Ficar em casa garante a possibilidade de o sistema de saúde dar conta do recado de atender a todos que necessitarem dos hospitais.

Entretanto, proponho uma reflexão. Sabemos que o isolamento não mata o coronavírus e que qualquer tratamento ou vacina não devem estar disponíveis este ano (espero estar errado).

Como vamos fazer para visitar nossos familiares quando acabar o isolamento? Fazer testes e exames na semana da visita ou do almoço em família não faz sentido. Não visitar também não fará sentido.

A vida do idoso está intimamente ligada com a família. A visita dos familiares é oxigênio vital para eles. Trabalho com idosos quase o dia todo, todos os dias. Se continuarmos por um tempo indeterminado a deixá-los sem a nossa presença, em total isolamento, a tristeza pode dar espaço à depressão e aí a saúde pode ficar comprometida.

Por isso, temos que refletir como faremos para respeitar as datas, as regras de distanciamento social e isolamento, mas criar alternativas para os almoços de família. Terão que ser diferente na forma, mas não no conteúdo, frequência, de alguma forma, eles terão que existir.

O uso de máscaras já está decidido. Nada de beijos ou abraços, teremos que guardar uma distância entre nós e nossos familiares. Mas, isso não quer dizer que não vai ter aquele bate-papo, aquela sessão de recordações ou aquela discussão de futebol e política que não leva a nada, mas é divertido.

Ver a família é a essência da vida. A morte por qualquer causa é uma tristeza que não pode impedir-nos de viver. Entretanto, teremos novas regras.

Por isso, proponho colocar nosso coração e nossa cabeça em formas seguras de contato e de carinho. O medo, pelo medo, não pode nos impedir de termos a nossa família e a nossa vida. Segurança e responsabilidade sim, pavor não.

Viva mais e melhor, sempre.