Hoje o meu convidado é o Dr. Ricardo Nahas, coordenador do Centro do Exercício e do Esporte do Hospital 9 de Julho.

Estamos vivenciando o evento esportivo mais importante do planeta: os Jogos Olímpicos. Sei que nossos leitores habituais imaginam estar presentes apenas como torcedores, mas não precisa ser assim. rio-1515057_1280

Para aqueles que têm personalidade competitiva existem jogos mundiais com as mesmas características olímpicas para todas as idades. Basta querer e, claro, treinar. Muitos admiram os jogos paraolímpicos, momentos de superação de atletas com necessidades especiais. Poucos sabem que podem superar as alterações impostas pela idade e se tornar um atleta olímpico, competindo em diversas modalidades contra adversários que também ousaram desafiá-la.

Isso me faz lembrar de um paciente que teve dupla superação após a merecida aposentadoria. Retomou os jogos de tênis que teve como professor seu irmão mais velho, procurou aconselhamento do Centro do Exercício e do Esporte e após consulta e exames, treinamento físico e técnico, passou a integrar a equipe de seu clube e sagrou-se campeão individual e em duplas em competições contra outros grupos assemelhados. Mantém o aconselhamento do nosso Centro e a competitividade ainda nos dias de hoje, há 15 anos do início da aposentadoria. Superou o sofá e a idade e mantêm-se competitivo e vivo como no mundo empresarial ao qual pertencia.

E, se analisarmos o quadro descrito, vamos descobrir a grande vantagem que temos na vida a medida que envelhecemos: a experiência. Nosso atleta já sabia jogar tênis, não teve que aprender – apenas retomou uma jornada interrompida. Tinha já a noção espacial da quadra, como empunhar a raquete, qual a tensão das suas cordas, entre outros atalhos que só os que já praticaram conhecem. É a tal história: “quem aprendeu a andar de bicicleta na infância, não esquece”. É só retomar. Retomou e foi campeão, melhor que outrora quando apenas fazia por lazer.

Infelizmente a vida de atleta não é só feita de boas histórias. Os atletas de elite, do chamado alto rendimento, podem carregar consigo seqüelas que se manifestam após a aposentadoria. Várias são as histórias de substituição protética de articulações, vítimas do uso excessivo dos jogos altamente competitivos e calendários que impedem a completa cura de lesões pela pressa na retomada dos jogos.

Grande exemplo disso é o nosso maior atleta, aquele que conquistou e dominou o mundo, figura reverenciada em todos os esportes: Pelé. Melhor nome para acender a Pira Olímpica nesses jogos não existe em nosso País. Ídolo de toda uma geração que transformou o futebol no esporte coletivo mais praticado no mundo inteiro, vê sua indicação, quase que unânime, esbarrar em uma seqüela de seus tempos de futebolista que interfere diretamente no caminhar necessário para cumprir a honraria maior que receberia do esporte brasileiro em todos os tempos. Pode ser traído por fazer com dificuldade aquilo que era fácil outrora nos campos que viram sua arte.

E, como todo médico, deixo minha receita para chegar-se a terceira idade e permanecer competindo: moderação. Todo remédio pode se transformar em veneno se a dose for excessiva. No exercício e no esporte não é diferente. E mesmo nas adversidades temos um exercício que poderá ser um remédio ideal para superá-las. Viva mais e melhor.