A reação de uma mãe mudou a forma com que um importante hospital nos Estados Unidos e outros serviços médicos tratam os mais velhos. Indignada com o atendimento que recebeu no Pronto Socorro presidido por seu filho, ela fez algo inusitado: mandou uma carta ao próprio filho questionando o atendimento: “Por que não construir uma unidade de emergência projetada para idosos, assim como fazem para as crianças”?

Comovido com a história, o executivo reuniu-se com a própria mãe, duas tias e um grupo de amigos para saber deles o que gostariam de ver em um departamento de emergência sênior. Após anos de planejamento, o hospital abriu o espaço da emergência em 2009 dedicado ao atendimento exclusivo de idosos, com algumas características como um ambiente mais calmo, com música e camas especiais, tornando o local menos caótico – apesar de ser uma emergência.

É possível dizer que o hospital St. Joseph’s Regional Medical Center in Paterson, N.J. foi pioneiro diante de uma tendência crescente: o envelhecimento da população mundial. Estima-se que a população acima de 65 anos deva crescer de 46,3 milhões em 2014 para 98,2 milhões em 2060, um salto de 112%.

O projeto deste hospital americano fez nascer outras ações em prol dos mais velhos, inclusive com programas em casa, o que tem reduzido as complicações evitáveis de saúde.

Desde que o departamento de emergência do St. Joseph’s foi lançado a internação de paciente de baixa complexidade caiu de 54% para 34%, liberando leitos para os pacientes que mais necessitam, ou seja, de alta complexidade.

Obviamente a realidade da saúde brasileira é bem diferente da dos Estados Unidos, mas o que chama a atenção nesta história é que pequenas atitudes, como uma carta ao presidente (neste caso, a senhora ignorou que era seu filho) podem, sim, fazer a diferença. Vamos fazer a diferença? Viva mais e melhor.