Hoje o meu convidado é do Dr. Ricardo Nahas, médico do Esporte do Centro de Medicina do Exercício e Esporte do Hospital 9 de Julho. Já tivemos a oportunidade de conversar nesta coluna sobre a osteoporose, como se instala e como pode também atingir jovens, além da sua clássica aparição nos mais idosos. Nos resta responder a uma pergunta: a osteoporose tem tratamento? Tem sim.
Como pudemos discorrer, a origem da doença é multifatorial, ou seja, com diferentes causas, desde o hábito de vida, genética, fatores raciais, até o inexorável envelhecimento que todos nós desejamos que aconteça, com saúde.
Vamos começar por aquilo que nossos pais nos deram: genética! Existe uma nítida incidência maior da doença na raça branca e amarela, quando comparado com negros e índios. Nada a fazer, exceto ficar mais vigilante e cumprir as regras para evitar ou até minimizar a ocorrência da doença.
Os hábitos merecem capítulo a parte por serem a fatia que depende de cada um e, portanto, podem ser modificados a qualquer tempo.
Mudança de hábito é mais complexo do que promessas de fim de ano. O hábito do fumo, por exemplo, dificulta a fixação de cálcio nos ossos, entre tantos malefícios a ele associado. Parar de fumar é fundamental mas não deve ser considerada a vitória final.
A qualidade da dieta, rica em cálcio como o leite, a carne, entre outros, também merece um outro capítulo. Se você fuma, é sedentário, tem restrições alimentares, como os vegetarianos, ou mesmo hábitos ruins de alimentação (sem horários fixos, por exemplo), vale a pena o auxílio de uma nutricionista para correta orientação. Se não, hoje todos os alimentos trazem na embalagem valores nutricionais e nutrientes que auxiliam na escolha.
De tudo que podemos fazer para prevenir ou tratar a doença, o hábito da atividade física é um dos mais importantes. Não só o praticado em locais próprios como academias, parques, ginásios, mas também, e principalmente, tornando a vida mais ativa, deixando o carro na garagem e andando a pé, o elevador no térreo, preferindo as escadas, se deslocando por percursos maiores a pé preferencialmente, mesmo que o trecho principal tenha sido feito de condução.
A proposta e opção por se movimentar deve ser regular, constante. O volume de trabalho é medido por semana pois tudo que fazemos se soma. Assim, se você se habitua a caminhar 40 minutos todas as manhãs e naquele dia só tem 20, faça os 20 e no fim da tarde mais 20, por exemplo.
O mesmo podemos dizer dos exercícios chamados de “musculação”. Além de tornarem as tarefas do dia a dia mais fáceis com o ganho de força muscular, também fixam o cálcio circulante nos ossos.
Todas as atividades físicas se somam e nos conferem melhor qualidade de vida, para toda a nossa existência.
Claro que sempre existe uma pílula mágica que se propõe a tratar a osteoporose e mesmo a osteopenia. Mas como toda droga, na medida errada pode virar veneno. Só faça uso de medicação indicada, regulada e acompanhada pelo seu médico assistente.
De todos os hábitos ruins que podemos ter, o sedentarismo é o pior. Se você for fazer uma promessa para este novo ano, peça a todos os Deuses conhecidos e desconhecidos que te livrem deste mal para sempre.
Uma vez em ritmo mais acelerado, sei que outros hábitos ruins também serão esquecidos (com muito mais facilidade) e muitas doenças evitadas ou tratadas. Como a osteoporose. Viva mais e Melhor.