Hoje a minha convidada é a Dra Cleide Lopes de Azevedo,  Psicóloga Clínica com especialização em Neuropsicologia, responsável pelo Clube da Memória do Centro da Longevidade do Hospital 9 de Julho.

O aumento da expectativa de vida da população em geral, traz consigo a preocupação de como envelhecer de forma independente, saudável e com boa qualidade de vida.  Um dos aspectos relevantes para o envelhecimento satisfatório é a manutenção das funções cognitivas, ou seja, a capacidade de aprendizado, conhecimento, entendimento, percepção, lembranças, julgamento e pensamento.

É comum, mas não necessariamente normal, entre a população idosa a queixa de dificuldade de memória.  Tal dificuldade pode estar associada a outras dificuldades cognitivas que no dia-a-dia não são notadas. Um exemplo é a falta de atenção. Muitas vezes fazemos as tarefas diárias de forma automática, sem focar no que estamos fazendo. Como consequência, temos dificuldade para encontrar os óculos, as chaves, a carteira, o celular etc.

Com a pressa para realizar os afazeres diários, que às vezes são muitos, não nos preocupamos em ter uma boa alimentação, vale dizer, boa em qualidade e não em quantidade. A deficiência de vitaminas pode prejudicar a cognição. Assim como, a pressão sanguínea, o diabetes e o colesterol não controlados.

Criar o hábito da prática de atividades físicas, dentro da possibilidade e da preferência individual, é fundamental para a saúde física, emocional e da cognição. Alguns estudos, indicam que a pratica da atividade física regular favorece a circulação sanguínea, o bom humor, a qualidade do sono e, por consequência, o funcionamento da cognição,  em especial a atenção, concentração, memória e aprendizado.

Outros hábitos saudáveis são a leitura, a escrita cursiva e os trabalhos manuais. Estas atividades estimulam várias áreas do cérebro/cognição, inclusive as relacionadas à memória. Não podemos deixar de citar que a vida social, o contato com os amigos, conhecer novos lugares e idiomas e adquirir novos conhecimentos são especialmente favoráveis à cognição.

Sinais de tristeza, falta de interesse, choro e apatia constantes não são próprios do envelhecimento, podem ser sinais de depressão. Depressão é um problema de saúde que deve ser acompanhado por equipe multidisciplinar.  Portanto, a visita periódica ao profissional da saúde pode auxiliar na prevenção da depressão e de outras doenças, contribuindo para a boa qualidade de vida e o envelhecimento saudável que todos esperamos e temos direito.