Hoje meu convidado é o Dr. Ricardo Nahas, médico do esporte e coordenador do Centro de Medicina do Exercício e do Esporte do Hospital 9 de Julho.

Caro leitor, já saiu do sofá? Vamos! Falta muito pouco para adquirir novamente a liberdade de ir e vir.Você já consultou seu médico, está com a saúde sob controle, já aprendeu a exercitar alguns músculos importantes para manter seu equilíbrio, evitar quedas e sustentar as caminhadas. Agora basta criar coragem e começar a caminhar.Mas caminhar? Não correr?

A grande maioria fala que correr é melhor do que apenas caminhar. Vejo os “atletas” nos parques sempre correndo. Não posso já correr? Isso depende sempre do referencial adotado.Então vamos ao referencial: você.

Lembre-se que até há pouco tempo você estava colado ao sofá, totalmente sedentário. Lembre-se de que na vida tudo que construímos de maneira lenta e sólida tende a nos acompanhar por muito tempo. Aqui não será diferente. Você conseguirá correr, sim, mas quando chegar a hora certa para a atividade, quando estiver preparado para ela.

Mas como achar o ponto de partida? Existe uma infinidade de testes para determinar qual é a sua atual capacidade de produzir trabalho físico de resistência, ou seja, por períodos prolongados. É o trabalho chamado de aeróbio que usa o oxigênio no processo de geração de energia dos músculos necessária na execução da tarefa. A sua? Caminhar.

Todos esses testes são de esforço e devem exigir o máximo de você para que seja parâmetro na orientação da intensidade com que você irá caminhar, correr ou mesmo alternar a caminhada com a corrida. A intensidade irá sempre ser calculada como sendo uma porcentagem desse máximo indicado pelo teste ao qual você foi submetido.Entre todos, e não cabe aqui detalhá-los, o mais preciso e que melhor expressa as funções pulmonar e cardíaca é o chamado “ergoespirométrico” ou “cardiopulmonar” ou ainda “teste da esteira com a máscara”.

Os indicadores são obtidos de maneira direta pela análise dos gazes espirados, enquanto que para os demais os dados são obtidos por cálculos matemáticos, ou seja de maneira indireta, o que aumenta a margem de erro.  Mas será que precisamos de tudo isso para abrir a porta de casa e ganhar a rua? Quem tem essa resposta clínica é o seu médico assistente que na consulta saberá aconselhá-lo para que a porta não se feche. Conhecendo seu histórico de saúde indicará ou não o teste monitorado para melhor avaliar os sistemas cardiovascular e pulmonar sob esforço máximo.

Para a nossa especialidade, medicina do esporte, a resposta é sim, seria bastante útil a realização do teste. Com os dados obtidos, conseguimos extrair ao máximo os benefícios da sua atividade durante o tempo que você pratica e minimizar os riscos que o exercício pode eventualmente representar.Não queremos que esse “transtorno eventual” se transforme em desculpa para manter a porta da rua fechada e a televisão ligada. Por isso, como esse início tem a pretensão de mudar seu estilo de vida, marque seu teste o quanto antes, ele vai ajudar no controle clínico de sua saúde e garantirá que nada venha a atrapalhar essa sua nova conquista.Mas e a tal da intensidade? Seu médico do esporte poderá orientá-la para isso através de cálculos matemáticos.

Complicado? Bem, vamos simplificar: se você conseguir fazer a caminhada/corrida cantarolando sem perder o fôlego ou sem que seja fácil demais, você estará com a intensidade muito próxima do desejado, principalmente para esse início. Bem, então vamos para a rua? Hum, só mais um instante. Vamos primeiro escolher a roupa, o local, o número de vezes por semana, o tempo de cada sessão. Essa é uma história que ficará para uma próxima vez! Viva mais e melhor.