Sempre se acreditou que o ser humano tem uma forte capacidade de adaptação, mas o surgimento do novo coronavírus trouxe uma paralisia virtual ao sistema adaptativo complexo da nossa sociedade e das pessoas. O momento que estamos vivendo é um exemplo clássico que demonstra como mudanças dinâmicas repentinas podem desestabilizar um sistema e as pessoas, colocando a todos em um estado de instabilidade.  

As incertezas desencadeadas pela Covid-19 não apenas demonstraram a fragilidade da sociedade como também a nossa como indivíduos. Tudo está conectado. As perturbações do sistema resultam em resultados inesperados e tomamos consciência das incertezas sempre presentes na nossa vida.   

Em geral, não somos bons em ver e compreender a complexidade das questões e temos grande dificuldade em gerenciar a dinâmica do nosso futuro. O cérebro humano não evolui para manter em mente todos os componentes de um problema e apreciar a dinâmica de mudanças dois a três passos à frente.  

Quando temos a percepção de falha no nosso próprio gerenciamento, nos sentimos mal… acontece uma dissonância cognitiva e sentimental e é aí que podem surgir as palpitações, sudorese e tremores. Ter que resolver problemas com altos índices de incógnitas, geralmente, resulta em intervenções aparentemente óbvias, mas equivocadas. A sugestão do colega Joaquim Strumber e Carmem Martin publicados em (https://doi.org/10.1111/jep.13419) é : analisar , responder com pequenas intervenções e finalmente dedicar um tempo para ver o que acontece. Por analogia, temos que fazer isso nas nossas vidas, para cuidarmos da nossa saúde.

Alguns de nós sucumbem à lógica do fracasso; reagindo prontamente aos problemas, com uma resposta em excesso na direção oposta. Poucos de nós usam a abordagem de primeiro analisar de perto o problema, responder em segundo lugar, introduzindo pequenas intervenções, e finalmente, dedicando um tempo para observar o resultado. Em sistemas dinâmicos, os verdadeiros efeitos de uma ação são evidentes somente após um tempo.   

Diante de momentos como esse, de instabilidade, é preciso observar e analisar o resultado de suas ações para orientar suas futuras respostas. Pequenos ajustes, invariavelmente, são melhores do que soluções dramáticas. Estas pequenas buscas de melhoria permitem uma estabilização da situação e finalmente fornecem mais espaço para que uma (re)solução surja na sua vida. 

O que isto tem a ver com sua vida e com a sua saúde? E como, nós, médicos podemos ajudar? 

Como médico, aconselho cada um se propor pequenas melhoras, investir no autocuidado. Você pode se perguntar: posso controlar melhor meu colesterol? Devo fazer exames de prevenção? Sim, a prevenção de doenças é uma benção. Não só para realmente sabermos como está evoluindo a nossa saúde, mas também para investirmos em algo que está sob a nossa responsabilidade, a evolução do nosso auto cuidado.  

O autocuidado nos permite algumas conquistas individuais possíveis. Nos faz sentir melhores e centra o problema onde temos condições de atuar para a conquista de uma vida mais saudável, com qualidade. 

No próximo dia 30, às 16 horas, vou abordar estes assuntos em uma Live no instagram do Hospital 9 de Julho. @hosp9dejulho.  

Participe entenda melhor os sistemas complexos e como isto pode ajudá-lo a viver mais e melhor.