Hoje meu convidado é o Dr. Ricardo Nahas, médico do esporte e coordenador do Centro de Medicina do Exercício e do Esporte do Hospital 9 de Julho.

Você que nos acompanha neste blog já sabe que antes de iniciar qualquer atividade física a visita ao médico é indispensável. E retornos regulares, pelo menos a cada ano, são necessários para manter-se saudável e, ter na prática, uma atividade realizada com prazer e não com dor e temor de algo possa sair fora do combinado.

Pratique exercícios sempre com acompanhamento médico

Faz diferença correr em um parque ou pelas ruas das cidades? Faz sim, principalmente nas cidades grandes, embora as restrições sejam semelhantes, mas não as mesmas.

Comecemos pelo ar que respiramos e tão importante para fornecer o oxigênio que alavanca a nossa atividade de corrida. Será sempre mais poluído e seco nos locais sem vegetação.

Para as grandes cidades, que contam com largas avenidas para melhor circulação (os corredores de trânsito), a situação do ar se agrava pela presença de transporte coletivo que elimina a poluente fumaça pelos escapamentos do motor movido a diesel.

Este é o motivo pelo qual indicamos que a atividade seja realizada entre 5 e 8 horas, quando os coletivos ainda não começaram a circular e a aumentar em número. A poluição dispersa na madrugada vai aumentando gradativamente e, somada à secura do inverno, torna o ar difícil de respirar, principalmente nos exercícios quando os volumes inalados são necessariamente maiores.

Poucos veículos trafegam nos parques. As chuvas de verão “varrem” a poluição de partículas sólidas e deixa o ar mais “respirável”. Ponto para os parques e para o verão.

A atividade ao ar livre durante o inverno exige que o praticante mantenha o corpo aquecido. Durante a atividade, o aquecimento corporal aumenta progressivamente e, manter a temperatura adequada, exige que você se livre das roupas mais pesadas.

Os parques bem arborizados deixam as temperaturas ambientes mais baixas o que, por vezes, pode exigir mais roupa para melhor o aquecimento corporal, o que também se torna um problema, a medida que o corpo precisa de regulação para a sua temperatura pela perda do calor para o ambiente.

Assim, cria-se um problema maior ou menor, dependendo do volume de roupa a ser retirada, pois ela precisa ser guardada em algum lugar. Talvez na rua seja mais fácil por ser um bairro conhecido com uma padaria em que você é freguês ou portaria do prédio.

No parque e na rua você poderá se valer de uma mochila que deve ser leve para armazenar a roupa evitando sobrepeso desnecessário. Pare a atividade no momento para prestar atenção ao que você está fazendo, evitando tropeçar e cair. Você vai ter que voltar a vestir os agasalhos quando o corpo voltar a sentir os efeitos da baixa temperatura ambiente.

Ponto para o verão? Talvez um empate técnico: o verão pode ser quente demais a ponto de dificultar a perda do calor do corpo para o ambiente. E as chuvas de verão poderão atrapalhar seu percurso com novos obstáculos que você pode não estar preparado para transpor, tanto na rua como nos parques.

Aqui e, em minha opinião, ficamos no zero a zero mesmo.

O percurso que você faz na rua obriga a tantas paradas quanto o tráfego de carros, motos e outros veículos atropeladores exigirem (não esqueça da silenciosa bicicleta).

Aquela paradinha na esquina pode levar até 5 minutos para alguns semáforos (versus segundos para o pedestre) e quebrar o ritmo da sua corrida. Pode até fazer você repensar e mesmo desistir da empreitada.

Para esse item damos ponto com louvor para os parques, independente se é no verão ou no inverno.

Meu espaço na coluna acabou, mas os itens não. Temos ainda a segurança, o piso do circuito, obstáculos, calçados.

O que não pode acontecer é acabar o espaço que você dá na sua vida para ser saudável. Pratique exercícios regularmente, sempre com acompanhamento médico. Viva mais e melhor.