Hoje meu convidado é o Dr. Ricardo Nahas, médico do esporte e coordenador do Centro de Medicina do Exercício e do Esporte do Hospital 9 de Julho.

 

Neste blog do Dr. Marcelo Levites, que gentilmente nos cede o espaço, continuaremos a escrever sobre a competição “rua versus parque”, “verão versus inverno”.

Quero reiterar a necessidade de visitas regulares ao médico sempre que praticar atividade física habitual. Testes e exames podem ser necessários anualmente.

Já comentamos sobre o ar que respiramos, com vantagem para o verão e os parques, das paradas frequentes exigidas nos percursos de rua e na temperatura ambiente no verão e no inverno, que exigem medidas diferentes para cada época do ano.

Antes de passar para outro item da nossa “disputa”, quero deixar claro que tanto no verão quanto no inverno há perda de água durante o exercício físico e que a hidratação do corpo é fundamental antes, durante e depois da atividade pretendida. Ou seja, não é porquê está frio que não preciso beber água ou manter-me adequadamente hidratado.

Vamos analisar o tipo de piso que encontramos nas ruas e nos parques.

Comecemos pelas ruas. Geralmente é aconselhável que o percurso de rua seja feito na calçada e não na pista de rodagem. Nem sempre o motorista está com disposição de seguir a lei e respeitar as normas éticas e pode acabar te atropelando. Por mais “deserta” que seja a via.

As calçadas são tão duras quanto as vias pavimentadas por concreto. E por isso exigem alguns cuidados. Começando pelo calçado adequado para você.

As regras gerais para o calçado esportivo prevêem um bom amortecimento, devem permitir a transpiração e ter uma boa forração para não ferir a pele, o que também pode ocorrer utilizando meias adequadas (indispensáveis, não importa o calçado).

As necessidades de pisadas que não sejam neutras (“pronadas”, “supinadas”) devem ser previstas e indicadas pelo médico assistente.

Via de regra (e genericamente) o pé flexível e portanto com sobrecarga da sua parte interna, exige que o contraforte medial do calçado seja reforçado. São pés planos (“chatos”) sem que haja uma deformidade que confira essa característica. A necessidade do uso ou não de palmilha para apoiar o arco interno do pé será determinada após indicação médica.

O pé cavo, ou seja com o dorso do pé mais alto (“peito do pé alto”) e arco longitudinal medial maior, exige um melhor amortecimento por parte do calçado esportivo por ser mais rígido que os pés chamados de flexíveis.

Quem indicará a necessidade de características especiais para o calçado esportivo, ou mesmo o uso de palmilhas adicionais, independente da necessidade, será o seu médico assistente.

Mas, antes da escolha do calçado esportivo que seja adequado às suas pretensões atléticas, o tipo de piso onde você vai usá-lo é muito importante.

Lembro que a compra do calçado deve ser feita no fim do dia pois o pé aumenta de volume pelo uso durante o dia e por deixar a circulação mais “parada” por estar contra a gravidade. E para os esportivos, talvez um número maior que o habitual seja necessário.

Note que a estabilidade é sempre desejada, independente do tipo de pé, o que nos leva a buscar uma superfície com menos buracos e inclinações, com piso que absorvam o impacto e a força reação do solo seja dissipada.

Ponto para os parques com seus pisos naturais. Viva mais e melhor.