Hoje meu convidado é o Dr. Ricardo Nahas, médico do esporte e coordenador do Centro de Medicina do Exercício e do Esporte do Hospital 9 de Julho.

E não é que mais uma vez venho invadir o espaço do Dr. Marcelo Levites? Generoso, me deixou à vontade para seguir conversando com vocês sobre a chamada claudicação intermitente.

No envelhecimento, o trabalho aeróbio é o melhor

Para aqueles que chegaram agora, um breve resumo: claudicação intermitente é uma dor que ocorre nos membros inferiores durante os esforços progressivos e está associada a placas de gordura (ateromas) que impedem a passagem de sangue necessário para a nutrir o músculo durante essa maior demanda de energia e que desaparece na sua interrupção quase que instantaneamente.

E para aqueles que seguem o Blog, o conselho de sempre: vá ao médico regularmente e previna doenças antes que elas apareçam. Prevenir é sempre melhor que remediar.

Uma vez diagnosticado e comprovado um problema, seu médico especialista (cardiovascular) irá ditar a conduta terapêutica mais adequada para o seu caso e para o seu momento.

Só? Não. Nosso papel é aconselhar para que você tenha uma atividade maior na sua vida, com mais liberdade e melhor qualidade. E que gradativamente perca o medo de sair de casa e caminhar. Medo de sentir o desconforto da dor, de ter que parar e enfrentar o caminho de volta e a dor novamente.

Dito isso, vamos escolher a atividade. Como tudo o que se refere ao envelhecimento, o trabalho aeróbio é o melhor e, dos diversos estímulos, a caminhada é a que mais se assemelha às necessidades do dia a dia e ao complemento pretendido ao tratamento instituído.

O início de tudo é sempre difícil e por isso deve ser supervisionado. Os variados estudos científicos mostram que, por 3 meses iniciais, as caminhadas devem contar com o auxílio de um fisioterapeuta ou de um educador físico, ambos capacitados para lidar com a doença que se apresenta.

Já “enturmado” e tendo os benefícios do exercício regular agindo no seu organismo, outros desafios podem ser colocados para auxiliar no ganho progressivo que o exercício trará à sua vida.

Ainda supervisionado e agora em ambiente controlado, com assistência médica e suporte de vida presentes, podemos fazer exercícios chamados de “cadeia fechada” por fechar com um aparelho e peso que não seja livre (aqueles pesinhos de mão).

Aumentar a capacidade aeróbia (resistência) das caminhadas é interessante. Para não aumentar o esforço das pernas, bicicletas ergométricas que oferecem a resistência para os membros superiores são adicionadas. Note que o ambiente é controlado e a intensidade supervisionada pelo fisioterapeuta, educador físico e até profissional de enfermagem, desde que apto para a tarefa designada.

Está dando tudo certo. Ótimo, mas não deixe o sucesso subir à cabeça. Podemos continuar melhorando se progredirmos no trabalho físico. E com resultados ainda melhores para a nossa vida.

Refiro-me ao trabalho de resistência muscular localizada. Exercícios de “musculação”, também supervisionados, de preferência em aparelhos desenhados para a tarefa, com o objetivo de tornar os músculos mais resistentes ao esforço, com aumento de tecido muscular que permitirá fazer a mesma tarefa com uma exigência menor para o trabalho físico que o organismo deve despender.

Animado? Não? Já pensou nas caminhadas que você poderá fazer com seu neto nos parques aos finais de semana? Talvez um passeio de bicicleta? Quem sabe subir um lance de escada para mudar de andar? Ou nos estádios em busca de melhor visão do jogo?

Não te seduzi nem um pouco? E se você tiver que sair correndo de casa porque a sogra está chegando? Viva mais e melhor.