Hoje meu convidado é o Dr. Ricardo Nahas, médico do esporte e Coordenador do Centro de Medicina do Exercício e do Esporte do Hospital 9 de Julho

 Olá, há quanto tempo! Sentiram minha falta? Sim? Não? Bem, estou aproveitando uma distração do Dr. Levites para voltar a escrever para sua coluna.

Vou abordar um tema que para aqueles que, tem no sedentarismo seu lema, pode incomodar. É aquela “falta de força” que se transforma em desculpa para ficar cada vez mais sem se mover. Tecnicamente chama-se sarcopenia.

Embora não seja exclusiva do idoso, vamos nos ater aos de terceira idade no presente texto. E já começo avisando que a tal sarcopenia não representa apenas falta de força mas impacta também na mobilidade, no risco aumentado de quedas, até com risco de colocar sua vida em risco. Todos esses fatores implicam numa queda da qualidade de vida, aqui pensando na “boa idade” mas não é exclusividade dela.

São atitudes simples como ir à padaria, dar um passeio ou subir um lance de escada

A causa da perda de massa muscular não é única. Tem na pouca quantidade de exercícios praticados uma de suas principais causas, mas dentro de um contexto mais abrangente, que inclui o próprio envelhecimento e seus fatores hormonais, entre outros.

Aqui vale parênteses. Não estamos nos referindo apenas a exercícios regulares e praticados em academias, por exemplo. Nos referimos ao estilo de vida sedentário que é cultivado anos seguidos e de maneira crescente. Falamos daqueles que preferem a poltrona e compras pela internet do que andar um quarteirão até o supermercado.

Essa perda de massa muscular ocorre sempre naqueles que permanecem entre nós ao longo da vida a razão de 1% ao ano, inevitavelmente. O quadro se acelera quando assopramos 50 velinhas, particularmente nos membros inferiores.

Você deve estar imaginando que tudo isso é cruel. Vou aumentar sua dor, especialmente para as mulheres: o processo se acelera nitidamente após a menopausa.

Mas então, o que fazer? Trocar o estofamento da poltrona? Só para as visitas se estiver muito gasto.

O primeiro passo é uma visita ao seu médico. Só ele poderá apontar os fatores que são responsáveis pela seu “cansaço e falta de força”.  Vai poder administrar o seu envelhecimento a ponto de deixá-lo inevitável (o que é muito bom) mas o mais saudável possível. Hormônios serão dosados e repostos se necessário, vitaminas administradas, dietas corrigidas.

Tudo pronto, vamos ao “pulo do gato”: o combate efetivo e eficiente à sarcopenia. Ele passa necessariamente pela retomada de exercícios incluídos no dia a dia, fazendo parte da sua vida como o almoço, a novela, o futebol na TV. Serão atitudes simples como ir à padaria, dar um passeio descontraído pela vizinhança, subir um lance de escada e não pelo elevador, entre outros.

Lembre-se que todos os suplementos que foram recomendados necessitam de exercícios para se fixarem no organismo. O mais comum é o cálcio. Se não houver exercícios associados o cálcio recomendado para a osteopenia/osteoporose não ficará no osso e será eliminado pelo rim.

Passando pela ativação do seu estilo de vida, seria muito interessante introduzir exercícios regulares. Um pouco mais complicado logisticamente pois deve sempre ser orientado por profissional habilitado, mas indispensável para você retardar o envelhecimento muscular.

Essas atitudes podem trazer novas alegrias pela disposição de se movimentar cada vez mais. Brincar com os netos ou mesmo acompanhá-los em jornadas de passeios em parques, zoológico, serão conquistas que muitas vezes pareciam inatingíveis e se tornam simples de serem feitas.

Agora você me pergunta: quais exercícios eu posso e quais eu não posso fazer? E você já sabe a resposta: continue nos acompanhando nesse espaço gentilmente cedido pelo Dr. Levites. Viva mais e melhor.