A vida é importante em todos os sentidos e, em primeiro lugar temos que preservá-la. Sobre isso não há a menor dúvida. Uma coisa que sempre reforço é que além de preservar a vida é fundamental buscar ter qualidade e isso se conquista cuidando não só da saúde física, mas também da saúde mental.

Com a pandemia, na justificativa de evitar a transmissão do vírus, em especial para os mais idosos, orientamos os familiares de nossos pacientes a não os visitar a evitar o contato com o objetivo de reduzir os riscos, mas isso foi em março deste ano, no início da pandemia. Acredito que essa atitude foi muito importante, pois diminuímos a propagação do vírus e muitas mortes foram evitadas.

Mas, estamos em setembro e, embora a pandemia não tenha passado, agora temos visto surgir com muita força nos pacientes de consultório e daqueles que vivem em residenciais, o aparecimento de sequelas psicológicas. Tem sido cada vez mais frequentes os quadros de depressão nos idosos e a piora dos quadros cognitivos, além de uma tristeza profunda. Mas o que fazer?

Já sabemos quais medidas de segurança devemos adotar, por esse motivo acho importante que os familiares de idosos voltem às visitas, sempre seguindo as orientações de segurança. Uso de máscara, distanciamento social, higienizar bem as mãos, reunir poucas pessoas, se possível em ambientes abertos. No caso de pacientes que que vivem em residenciais é importante marcar horário e fazer a visita com poucas pessoas. Infelizmente ainda não são permitidos beijos e abraços.

Em muitos países foram liberadas as visitas sempre com as orientações de proteção.

Temos que ter consciência sobre a importância dos cuidados e vencer a cultura do medo. Estamos vivendo uma nova realidade é preciso adotar isso como estilo de vida e não mais com medo do desconhecido, infelizmente até que se desenvolvam vacinas e medicamentos, teremos que conviver com o novo coronavírus de forma responsável e evitar que o excesso de proteção nos distanciem dos idosos de forma a preservá-los por um lado e prejudica-los por outro.

Essa é a opinião de um médico que deste março convive com os idosos e vê os efeitos diretos e indiretos da pandemia.

É claro que as recomendações podem mudar, mas temos que estar atentos e seguir o que está recomendado hoje.  Tudo a seu tempo. Respeitando a vida, sempre, para que todos possamos viver mais e melhor.