Nova onda nos Estados Unidos, a sirtfood acaba de desembarcar no Brasil. Baseada em torno de consumo de alimentos que possam interagir com proteínas chamas sirtuínas, foi criadas por dois nutricionistas e é divida em duas fases: a de ataque e a da manutenção.

Segundo a dieta, as sirtuínas aceleram a velocidade com que o organismo queima o que é ingerido. Os ganhos iriam além do emagrecimento e incluiriam melhoria do sono e da memória.

A pedido do blog, o nutricionista esportivo Gustavo Carvalho e a médica endocrinologista Isis Toledo, especialista em emagrecimento, performance e implantes hormonais, falam sobre a nova dieta. Eles advertem que não existe milagre e que a melhor estratégia continua sendo a de seguir um plano individualizado e que possa ser sustentado ao longo do tempo.

Frequentemente uma nova dieta aparece e rapidamente vira modinha. Agora, nos Estados Unidos, é hora da sirtfood que, aos poucos, começa a desembarcar no Brasil. Como é essa nova dieta?

Gustavo Carvalho – De forma resumida, a dieta se baseia em uma proteína denominada sirtuína. Ainda apresenta bastante dúvidas sobre sua eficiência tanto para o emagrecimento quanto para a longevidade. Como também já foi bem abordado, a dieta se divide em etapas onde ocorrem variações de valores pré-estipulados calóricos e  todas elas restringindo-se ao consumo de alimentos que contenham a sirtuína como, por exemplo, maça, rúcula, morango e azeite, entre outros.

Isis Toledo – A Sirfood é baseada em torno do consumo de alimentos que possam interagir com proteínas chamadas sirtuínas. Criada pelos nutricionistas Aidan Goggins e Glen Matten, esta dieta é dividida em duas fases: uma de ataque e outra de manutenção. Um livro, intitulado The Sirtfood Diet, foi lançado recentemente e explica o plano alimentar em detalhes. Porém, quando avaliamos o caráter científico, poucas conclusões concretas podem ser vistas. Os estudos têm vieses importantes e os trabalhos científicos com seres humanos não demonstraram resultados.
Segundo pesquisas recentes, existem sete tipos de sirtuína, enzima que, dizem, é capaz de facilitar a queima de gorduras. Quais são elas? E quais alimentos possuem?

Gustavo – Elas são divididas em sete. São as Sirt de 1 a 7. Se diferem, principalmente, em locais de atuação, alguns no citoplasma outros no núcleo e mitocôndrias.

Isis – SIRT 1 a 7. Suas fontes são: maçã, frutas cítricas, salsa, alcaparra, mirtilo, chá verde, soja, morango, azeite, cebola roxa, rúcula, couve, vinho tinto, chocolate amargo e café.
Quais os benefícios oferecidos pela sirtuína, além do emagrecimento?

Gustavo – Apresentam como principal função a parte imunológica, porém apresentando fatores favoráveis comprovados em doenças como diabetes, doenças neurais degenerativas e doenças cardiovasculares.

Isis – Sirtuínas são um conjunto de enzimas relacionadas com a ligação ou silenciamento de genes relacionados com a longevidade das células, e, por conseguinte, envolvidas na preservação dos tecidos do corpo. As sirtuínas parecem estar relacionadas com o envelhecimento e na regulação da transcrição, apoptose e resistência ao stress, como também com regulação de processos metabólicos em situações de baixa quantidade de calorias. Porém, apesar dos vários estudos científicos sobre o assunto, os experimentos em humanos ainda não demonstraram o resultado esperado.
Modismos à parte, qual a melhor dieta para perda de peso e redução de gordura?

 Gustavo – Aquela individualizada e adequada para suas necessidades e realidade. Parece clichê nutricional porém hoje, mais do que nunca, somos “afogados” de informações e de novos “gurus” com seus novos milagres, tentando mudar algo que passe ao consumidor, dos tais “milagres”, uma facilidade de seguimento, com alimentos que as pessoas querem comer. E, mais do que isso, que tragam os resultados sonhados. Missão nada fácil.

Isis -A melhor dieta é a que o paciente faz de forma sustentada. O organismo é muito individual para pensarmos numa dieta melhor para todos. As respostas também são diferentes e precisamos individualizá-las.

Quanto tempo, em média, é preciso para entrar em forma?

 Gustavo Carvalho – Depende bastante da situação que se encontra no início dos trabalhos. Mas, sinceramente, um tempo entre 3 a 6 meses pode causar mudanças super impactantes, mesmo naqueles indivíduos que estão nos piores casos.  Claro que tudo isso desde que todas necessidades sejam supridas de forma correta com orientação de todos profissionais envolvidos.

Isis – Para construir um físico com qualidade demanda tempo. Primeiro, temos que diferenciar entre emagrecer e perder massa muscular. Pensando numa estratégia eficiente um regra dos 80/20. Você demora 20% do tempo para atingir 80% dos resultados e 80% do tempo para os 20% restantes.

O fator genético é mesmo determinante quando o assunto é melhorar o shape? Ou é possível com boa alimentação e exercício ter um corpo bonito e saudável?

Gustavo – Não tenha dúvida que algumas pessoas têm sim maior predisposição do que outras. Porém, isso não impede que o físico possa atingir o seu auge e que esta condição alcançada tenha sucesso e satisfações por parte dos pacientes.

Isis – O fator genético é importante mas não é determinante. A New England, maior revista científica do mundo, aborda essa tema de forma clara. Temos que associar boa alimentação com proporções adequadas dos macronutrientes, vitaminas, minerais e fitoquímicos. Exercícios físicos regulares, incluindo os tencionais e metabólicos. Hidratação adequada, controle do estresse, sono adequado e ajustes hormonais quando indicados.
Quais as dicas que você daria para quem quer entrar em forma mas sem deixar de viver os prazeres da boa mesa, pelo menos vez ou outra. Afinal, muitos dos eventos sociais são, por uma questão cultural, amparados em comida.

Gustavo – Infelizmente não é o que as pessoas gostam de ouvir. Quando pensamos em ter um melhor salário, fica praticamente impossível não associar a trabalho mais e mais duro. Logo, quando falamos em resultados de shape, esta realidade também é aplicada. Para termos tais conquistas, realmente precisamos criar um vínculo social um pouco diferente do habitual e, mais do que isso, torná-lo mais presente. Parece estranho, porém, o físico quanto mais bem condicionado aceita e se recupera muito mais facilmente do que um físico fora de forma. O problema é justamente este: as pessoas que mais estariam aptas a desfrutar de uma maior liberdade alimentar, são justamente aquelas com mais consciência e entendimento a respeito da importância de se alimentar bem e de suas necessidades, e conseguem vincular bons hábitos e socialização alimentar em uma mesma frase. Quando avaliamos, de uma forma geral, o sentido principal das refeições está sendo deixado pra trás. O objetivo deve ser o de nos nutrirmos, que é muito mais do que apenas nos alimentarmos. Hoje, somos bombardeados de refeições enriquecidas e completamente maleficamente alteradas, em busca de gerar uma maior dependência por parte dos consumidores, tornando seus produtos uma necessidade semanal ou até mesmo diária. Pense em marcas famosas de fast foods e veja se o cheiro não é bem característico e um verdadeiro convite a cometer o pecado da gula. Acredite, nada ali é por acaso. Tudo existe por uma razão e para abastecer justamente as suas necessidades mais intimas do seu cérebro: a fome, a tristeza, a alegria, a depressão e outras tantas situações diferentes de nossas vidas. O que me leva a resumir que para se socializar calorosamente basta estar vivo. Logo, quanto mais fidedigno ao plano, não tenha dúvida dos seus êxitos.

Isis – Para quem não abre mão dos prazeres gastronômicos, os segredos são: trabalhar o corpo de uma forma que o metabolismo basal esteja otimizado, que tenha moderação nos eventos e, principalmente, que aguce o paladar para não exagerar nos alimentos doces e carboidratos.

 

Até semana que vem!