Muito se fala em vitamina D e na importância dela para a saúde. Mas será que a melhora do nível de vitamina D está só relacionada com a exposição ao sol? O consumo de determinados alimentos pode ou não interferir na presença da vitamina em nosso organismo?

Para tirar essas e outras dúvidas sobre a vitamina D, pedimos ajuda para Bruna Pitaluga Peret Ottani (@brupitaluga), médica ginecologista e obstetra, pós-graduada em Nutrologia e membro do The Institute for Functional Medicine – IFM.

Em entrevista ao blog, Bruna afirma que a deficiência da vitamina D está relacionada sim a várias doenças. A especialista nos auxilia em como aumentar a presença da importante vitamina  em nosso organismo.

 

Qual a importância da vitamina D para a saúde?

Bruna – A deficiência de vitamina D está relacionada a várias doenças. Os trabalhos mostram que baixos níveis dessa vitamina se relacionam a doenças autoimunes, doença inflamatória intestinal, infecções bacterianas e virais, doenças cardiovasculares, câncer e doenças neurodegenerativas. Alguns pesquisadores, inclusive, defendem a classificação da vitamina D como hormônio por se tratar de um ativo derivado do colesterol com cascata de ativação que inclui precursores, receptores e um conjunto de enzimas próprias. Idosos, crianças, gestantes e mulheres amamentando, negros e obesos têm maior chance de desenvolver deficiência de vitamina D.

 

Como aumentar os índices de vitamina D?

Bruna – A vitamina D é classicamente denominada a vitamina do sol. A exposição solar leva a nossa pele a iniciar uma séria de reações bioquímicas que culminam com a produção da vitamina D ativa (calcitriol). No entanto, usar produtos químicos na pele, como protetor solar ou bronzeador, impedem que essas reações aconteçam. O ideal seria que uma pessoa se expusesse, por pelo menos trinta minutos por dia, com a maior superfície corpórea descoberta, e não se lavasse por até trinta minutos depois dessa exposição para que ocorra a conversão na pele e níveis mínimos aceitáveis no sangue. O melhor horário seria ao meio-dia por questões relacionadas à luz solar, mas a exposição pode ser feita no começo da manhã ou no final da tarde.Alguns alimentos também podem ser naturalmente fonte dessa vitamina, como bacalhau, salmão selvagem e ovos. Por outro lado, a indústria alimentícia já usa vitamina D para enriquecer alguns compostos.

Além disso, existe a suplementação de vitamina D prescrita por médico através da utilização de diferentes excipientes (cápsula, gota, comprimido sublingual ou injeção).

 

Qual o nível ideal de vitamina D para crianças e adultos?

Bruna – Muito se debate sobre os valores séricos (o dosado no sangue) normais para vitamina D. Atualmente, valores acima de 30 ng/mL são considerados normais. No entanto, muitas pesquisas têm sido feitas aceitando níveis bem mais elevados. Por exemplo, nos trabalhos que acompanham pessoas com esclerose múltipla, e que são tratadas com altas doses de vitamina D, os níveis séricos chegam a 100ng/mL sem qualquer prejuízo. Já é uma tendência internacional considerar o nível ótimo entre 50-80ng/mL. Para crianças, os valores considerados normais seriam os mesmos.

 

Quais os sinais que o corpo emite que podem ser indicativos de que os índices estão abaixo do mínimo aceitável?

Bruna – Se a pessoa fica gripada ou resfriada com frequência pode ser um sinal de deficiência de vitamina D, assim como alterações na concentração e no humor, fácil irritabilidade, fraqueza e alterações do sono. Por ser uma vitamina que regula vários sistemas no nosso corpo, os sinais e sintomas variam de pessoa para pessoa. O exame mais acurado envolve dosar a vitamina D (na forma de 25-hidroxivitamina D3 – calcidiol) no sangue. Alguns medicamentos interferem na absorção e utilização da vitamina D, como antiácidos, corticóides, laxativos e quimioterapia. A ingestão de bebidas alcóolicas também causa essa interferência. Portanto, é recomendável que os usuários desses medicamentos e os que ingerem etílicos fiquem ainda mais vigilantes quanto ao nível sérico de vitamina D3.

 

Pesquisas indicam que a vitamina D pode ser uma importante aliada no combate ao câncer e também no tratamento de doenças autoimunes. Qual a sua opinião sobre isso?

Bruna – Existem milhares de publicações científicas que relacionam baixos níveis de vitamina D com essas doenças. A correlação entre vitamina D e câncer se dá porque existe uma promoção do crescimento e diferenciação celular bem como controle da morte celular (apoptose) por essa vitamina. Na imunomodulação, a vitamina D interfere na diferenciação de algumas células do sistema imunológico, como monócitos a macrófagos, estimula a atividade fagocitária e inibe a produção de algumas substâncias que, em excesso, podem ser danosas, como o TNFalfa (fator de necrose tumoral alfa).

 

Estar com um bom índice de vitamina D pode ajudar no processo de emagrecimento?

Bruna – Com certeza! A vitamina D faz a manutenção da produção de insulina no pâncreas. Portanto, baixos níveis séricos dessa vitamina diminuem a produção de insulina e elevam os níveis de glicose no sangue. Quanto maior o nível de glicose maiores as chances de desenvolver resistência à insulina e, futuramente, diabetes.

Instagram da Dra Bruna: @brupitaluga

 

Gostaria de aproveitar a oportunidade e agradecer aos leitores que acompanham os posts aqui no portal do Estadão. No último dia 2, o blog Vigilante da Causa Magra completou dois anos. Obrigada, obrigada e obrigada. E bora que tem mais. Muito mais!

Até a próxima semana!