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“A dieta x funciona para todo mundo. Menos para mim”. “Cortei o carboidrato à noite e não perco peso”. Frases como essas são muito comuns no dia-a-dia de mulheres e homens que lutam para entrar em forma.

“Corro e não emagreço”. Outra afirmação que cada uma de nós já deve ter ouvido, pelo menos uma dezena de vezes, de uma amiga.  Mas tudo  tem uma explicação. E essa explicação pode ser encontrada no exame genético.

Ele pode definir o que é melhor para cada um. A médica Bruna Pitaluga Peret Ottani, ginecologista e obstetra, pós-graduada em Nutrologia e membro do The Institute for Functional Medicine (IFM), explica, em entrevista ao blog, o tema. O preço do exame ainda é bem salgado. Pode variar entre R$ 2.500 a R$ 3.000.

A seguir, eis a entrevista:

 

 Como é feito exame genético e para que serve?

Bruna – Em 1990, com o Projeto Genoma, a comunidade científica esperava determinar o genoma humano e, com isso, esclarecer muitas dúvidas em relação a nossa sequência de genes. Achava-se que nós éramos os seres que carregávamos a maior sequência de genes. Com os resultados desse Projeto, percebemos que estávamos equivocados. O DNA humano não é mais complexo que o de um grão de arroz. No momento, sabemos que 99,9% do DNA de todos nós é igual e que nos diferenciamos geneticamente em apenas 0,1%. E essa porcentagem, como vemos, é o suficiente para determinar todas as nossas diferenças físicas e metabólicas.

Como assim?

Bruna – O DNA é formado pela combinação de bases, chamadas nucleotídeos. Elas criam ligações entre elas e formam duplas no DNA. Quando uma dessas duplas é trocada numa determinada sequencia de bases, chamamos de polimorfismos ou SNP (single nucleotide polimorphism – polimorfismo de nucleotideo único). São nesses polimorfismos que encontramos as nossas variações genéticas que determinam se uma pessoa tem potencial de ser um corredor de longa distância ou se tem potencial para ser um velocista.

Os exames genéticos que avaliam esses polimorfismos são muito difundidos e utilizados nos países desenvolvidos e recentemente chegaram ao Brasil. A coleta do material costuma ser simples: com uma pequena escova coleta-se células da boca (mucosa oral), depois esse material é colocado num meio de conservação e enviado ao laboratório onde é processado.

O exame ajuda a definer a melhor dieta e a modalidade de exercício físico mais adequada para cada pessoa?

Bruna – O perfil do resultado depende de cada empresa. Atualmente, os exames mais completos fornecem informações sobre o perfil alimentar e a capacidade de metabolizar macronutrientes (proteína, gordura e carboidrato) resultando na dieta mais adequada, a atividade física mais compatível com o tipo de fibra muscular, capacidade de queimar gordura e absorção de nutrientes como vitaminas e sais minerais, predisposição genética para doença celíaca, intolerância genética ao glúten e sensibilidade genética à frutose, perfil da capacidade antioxidante e desintoxicante, apenas para citar algumas das variações analisadas.

 

Qualquer pessoa pode fazer?

Bruna – Qualquer pessoa pode fazer o exame, desde recém-nascido a um idoso.

 

O que o exame genético pode concluir e até que ponto isso pode desenhar uma dieta?

Bruna – O exame genético pode concluir, por exemplo, a capacidade que uma determinada pessoa tem de metabolizar proteína. Pessoas com perfil baixo para metabolizar proteína tendem a não responder bem a uma dieta hiperproteica. Imagine, ainda, que essa pessoa tem uma excelente capacidade para metabolizar carboidratos e faz uma dieta low carb (baixo carboidrato) e não consegue melhorar o seu rendimento na academia? Aliás, os atletas de alto rendimento tem muitas variações genéticas avaliadas e trabalhadas para que tenham o melhor estímulo metabólico e físico para as suas características baseadas no DNA.

 

Qual o custo médio do exame? Ele precisa ser feito apenas uma vez?

Bruna – O custo depende da empresa escolhida. Em média, um bom exame custa entre 2500 a 3000 reais. Além disso, o exame é feito apenas uma vez na vida. Claro, quanto maior o número de variações avaliadas mais caro é o exame. Em alguns casos, pode ser feito mais de um exame genético na vida porque nem todos os exames oferecem as mesmas análises, e existe o desejo de ampliar o conhecimento sobre os polimorfismos de uma pessoa, como dieta, perfil metabólico, perfil de coagulação e da mutação da metilenotetrahidrofolato redutase – MTHFR (muito utilizado em gestantes para verificar risco de trombose e perfil de metilação de DNA) que não necessariamente  estejam contidos no perfil de uma determinada empresa.

 

Até mais!