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“Nossa, mas você como chocolate? Nunca imaginei.” “Gente, a fulana bebe demais, não?” “Você acredita que a nossa amiga come balinha em toda festa infantil? Como pode consumir tantas guloseimas e ter aquele corpo?”

Frases como essas são familiares para vocês? A “patrulha” alimentar da amiga ao lado, infelizmente, está em alta. E saibam. É chata. Muito chata.

Uma coisa é focar na alimentação saudável e, de quebra, na boa forma (afinal, quem nunca sonhou em entrar em um jeans 38/40?). A outra, e bem diferente, é viver cheia de neuras, evitar festas e encontros felizes com amigos (sim, vai ter bebida e comida) e se preocupar não só com o que você come, mas também com o prato do outro.

Comportamentos como esses podem não necessariamente configurar um transtorno alimentar, segundo especialistas. Mas podem sim interferir, e muito, nas relações sociais.

Sobre o assunto, o blog Vigilante da Causa Magra conversou com a psicóloga Janaina Marize de Oliveira, da Clínica Kennedy, de São Paulo.

 

Muitas pessoas às vezes não cuidam da própria alimentação, mas tendem a “patrulhar” o prato do outro. Esse comportamento, de olhar sempre para que o vizinho está comendo, também pode configurar um transtorno alimentar?

Janaina – É preciso ter atenção para não deixar que hábitos alimentares interfiram nas relações sociais. Ninguém gosta de sair com quem fica controlando tudo o que comemos. Hábitos alimentares são considerados transtornos quando interferem na saúde física e mental da pessoa. Não se pode caracterizar um transtorno alimentar apenas pelo fato do amigo ficar palpitando sobre o que estamos comendo.

 

Como não ultrapassar a linha tênue que é cuidar da saúde e da alimentação mas não se tornar um escravo da vida saudável?

Janaina – Se permitir comer o que sente vontade de maneira moderada. Abrir mão de tudo é o primeiro passo para desenvolver algum transtorno alimentar. Não podemos passar o dia inteiro comendo tudo que sentimos vontade, mas não precisamos nos abster de tudo. Comer aquele doce durante o final de semana não te torna menos saudável.

Muitas pessoas não têm exatamente um transtorno alimentar, mas são excessivamente preocupadas com a boa forma. Na sua opinião  qual o motivo de isso ocorrer?  Há exagero na cobrança da sociedade por termos corpos esculturais ou é mais uma preocupação de cada um?

Janaina – Vivemos em uma sociedade que estipulou um padrão estético, que tem como aliado uma baixa de autoestima caso esse indivíduo não consiga se enquadrar aos tão desejados padrões. Estes padrões são vistos a todo o momento na tv, revistas e principalmente na internet. As redes sociais pioraram a obsessão de corpos cada vez mais magros. Basta dar uma olhada nos perfis e se deslumbrar com um corpo sarado ali, uma barriga sequinha aqui, dicas de suplementos, dietas milagrosas e por ai vai. Muitos se veem pressionados a seguir o padrão, mas os indivíduos mais propensos podem chegar a desenvolver um transtorno alimentar. O importante é ter consciência de que quando a alimentação se torna uma preocupação em excesso ela deixa de ser saudável.

Como encontrar o equilíbrio e estar em paz com corpo e mente?

Janaina – A alimentação equilibrada é essencial para nosso equilíbrio emocional e físico. Nos permitir sentir prazer na alimentação, não nos privar de dar aquela escapadinha de comer um doce quando sentir vontade. O importante é lembrar que nada em excesso faz bem, nem comer de tudo sempre que sentir vontade, nem viver preocupado com o ponteiro da balança. O segredo em manter o equilíbrio corpo e mente está entre a variedade e a moderação.

 

Até a próxima semana!