Pesquisas apontam que a causa da acne pode estar relacionada ao consumo do leite. Vários trabalhos realizados em faculdades de saúde pública, inclusive em Harvad, apontam nesta direção.

Para falar sobre o tema, entrevistamos essa semana a médica dermatologista Cristina Salaro.

 

Muito se diz sobre o leite e seus efeitos negativos para o organismo. Afinal, devemos ou não consumir o leite? Ele pode prejudicar a saúde da pele? De que maneira?

Dra Cristina Salaro – Não há um consenso na resposta desta pergunta.  Muito resumidamente, existem dois potenciais vilões no leite: a lactose, que é o açúcar do leite, e as proteínas presentes no soro do leite, como a caseína e lactoglobulina.  Cerca de 50% da população é parcial ou completamente intolerante à lactose (estes dados variam de acordo com a etnia em questão). Estudos sugerem que, a partir de 4 anos de idade, não se consegue mais produzir lactase, assim, a lactose não digerida no intestino sofre ação de bactérias fermentativas que levam à formação de ácido lático (dentre outros compostos) causando: gases, distensão abdominal, cólicas, flatulência, diarréia e /ou constipação. Na prática, observa-se um aumento na produção de secreção em vias aéreas (em pacientes com rinite, sinusite, bronquite crônicas retirar o leite por três meses e observar se há melhora pode ser recomendado). Leite contém e estimula à liberação de IGF-1 (fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1),  que está associado ao aumento na liberação de insulina pelo pâncreas, e pode ser fator de risco ao desenvolvimento de diabetes e síndrome metabólica.   O leite de vaca contém a proteína b-lactoglobulina, proteína esta ausente no leite materno humano e que pode desencadear alergia alimentar em bebês e adultos.

O que devemos fazer para manter a pele saudável?

Dra Cristina Salaro – Como dermatologista, com foco no leite e pele, posso afirmar que existem dois estudos publicados na JAAD (Journal of the American Academy of Dermatology) em 2004 com 47355 casos estudados e, em 2008, com 4273 meninos estudados (http://dx.doi.org/10.1016/j.jaad2007.08.049), onde houve relação positiva entre o consumo de leite e acne. Esses estudos apontam para os hormônios presentes no leite e moléculas bioativas que têm influência no aparecimento de acne.  Cabe lembrar que o leite de vaca industrializado provém de vacas que recebem antibióticos e hormônios e estes compostos são absorvidos pelo nosso organismo. O leite comercializado em supermercados tem características bioquímicas , enzimáticas e nutricionais diferentes do leite de vacas proveniente de pastos e fazendas. A pasteurização destrói enzimas necessárias à absorção de cálcio (ex: fosfatase) e há estudos onde pessoas que consomem muitos produtos lácteos têm osteoporose. Especial alerta ao leite de caixinha. Ele requer a adição de substâncias esterelizantes como água oxigenada e soda cáustica para conservar o leite evitando a multiplicação de microorganismos e a decomposição do leite.

 

Em relação às crianças, o que devemos fazer?

Dra Cristina Salaro – Em relação às crianças, a princípio manter o leite até os 4 anos de idade, se houver boa aceitação. A partir daí, reduzir o consumo gradualmente. Vale seguir a orientação do pediatra.

 

Quais alternativas ao leite de vaca e que deixam a pele mais bonita?

Dra Cristina Salaro – Existem muitas alternativas ao consumo de leite. Sou particularmente adepta dos leites veganos, de quinua, de amêndoas, de aveia. Batidos com frutas, com um pouco de gengibre, goggy berries, são excelentes fontes nutricionais e ajudam a ter uma pele e organismo forte e saudável. Sugiro aos meus pacientes  que retirem o leite e diminuam radicalmente seus derivados por um período de três meses e observem as modificações que irão ocorrer em seus organismos. Dificilmente alguém irá retomar o consumo.

 

Até semana que vem!