Consideradas as verdadeiras vilãs quando o assunto é alimentação saudável, as gorduras podem não ser tão ruins assim. Isso mesmo. Tudo depende, é claro, do tipo de gordura. E quem hoje nos ensina sobre o tema é o cardiologista Daniel Magnoni, diretor de nutrição no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia – IDPC e diretor do Serviço de Nutrologia / Nutrição Clínica na HCOR. “Existe gordura boa. O ruim é a quantidade ingerida, o abuso”, afirma ele.

Magnoni coordenou uma pesquisa no Instituto Dante Pazzanesse com 400 pessoas com o objetivo de verificar o conhecimento delas sobre as gorduras trans, saturada, monoinsaturada e poli-insaturada. E o que se verificou foi que os pacientes com risco cardiovascular desconhecem os tipos de gordura que fazem bem.

De fato é preciso tomar cuidado com dois tipos de gordura: a trans (formada por um processo químico que pode ser natural – quando ocorre no estômago de animais – ou industrial – quando óleos vegetais e líquidos são transformados em gorduras sólidas com a adição de hidrogênio) e a saturada (encontrada principalmente nas carnes vermelhas).

As gorduras poli-insaturadas (as mais famosas são o ômega 3 e 6) e monoinsaturadas (azeites, nozes) são necessárias, segundo ele. E podem ser encontradas em alimentos vegetais, no azeite de oliva, no óleo de soja, girassol e canola.

“Os pacientes, infelizmente, não sabem o que é bom ou ruim. Quando se fala em margarina ou creme vegetal, por exemplo, desconhecem a evolução da indústria dos alimentos e a importância deles.” O médico explica que, ao contrário do que se pensa, o consumo de creme vegetal, por exemplo, é o mais indicado para pessoas que precisam controlar os níveis de colesterol no sangue.

Para um estilo de vida saudável, Magnoni recomenda uma alimentação equilibrada e a prática de exercícios físicos. “As pessoas precisam ainda conhecer o que consomem. Alimentos que no imaginário popular são ruins muitas vezes não são tão vilões assim”, diz. Ele cita, por exemplo, a importância do consumo até de alimentos fortificados industrialmente como os probióticos e os pães com alto teor de fibras.

Para aqueles com problemas cardiovasculares, a mudança no estilo de vida é fundamental. Estima-se que 40% da população brasileira apresente colesterol alto, segundo o médico.

“É preciso buscar ajuda profissional e individualizada para uma dieta equilibrada e os exercícios físicos mais adequados para cada pessoa”, adverte. Ele enfatiza que para o ingresso em uma academia de ginástica, por exemplo, as pessoas precisam passar por uma avaliação médica. “Isso é Lei e é fundamental para aferir as condições do aluno antes do início da prática da atividade física.” No mais, é comer bem para viver ainda melhor.