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A melhor dieta é aquela feita especialmente para você. A afirmação parece óbvia, apenas “papo de nutricionista”. Mas é verdade. O que é bom para uma pessoa pode não funcionar para outra. Daí, a importância de seguir um plano alimentar individualizado, levando em conta o metabolismo de cada um, o ritmo de vida e outras particularidades.

Na semana passada, abordamos como tema a alimentação de três em três horas, e o quanto ela, apesar de funcionar para muitas pessoas, pode não ser a melhor opção para tantos outros indivíduos.

Atendendo aos pedidos dos leitores, que enviaram e-mails com outras dúvidas sobre o tempo ideal de intervalo entre as refeições, pedimos aos nutricionistas Juliana Lisboa Martins e Michel Garcia Maciel, que respondessem algumas questões. Vamos a elas:

 

Na semana passada abordamos o tema alimentação de três em três horas, quase sempre recomendada por nutricionistas. Porém, estudos já comprovam que ela não necessariamente é eficaz. Afinal, o que é recomendável?

Juliana – Bom, o recomendado é respeitar o metabolismo de cada um, respeitar a individualidade metabólica de cada um. Enfim, entender o indivíduo e adequar o tratamento à realidade e à rotina dele. A nutrição deve ser vista e trabalhada de forma individualizada.

Michel – O mais indicado é respeitar a individualidade metabólica de cada pessoa, levando sempre em consideração a rotina de cada indivíduo e a qualidade da alimentação. Minha indicação é sempre manter horários regulares, sejam eles de 3 em 3 horas, 2 em 2 horas ou mais.

 

Muita gente relata que se sente bem e tem bom peso apenas se alimentando três vezes ao dia: café da manhã, almoço e jantar. Isso pode ser uma saída?

Juliana – Sim. Em diversos países não há este costume brasileiro de fazer várias refeições ao dia, e são países cujo o perfil é de uma população esbelta. A França é um exemplo.

Michel – Pode sim, tanto se fizermos 6 refeições diárias ou se fizermos apenas 3. A regra é a mesma: balancear os nutrientes em quantidade (ou seja, valor total de calorias no dia) e principalmente em qualidade, respeitando o que chamamos de mecanismo de fome.

 

Existe um tempo mínimo ideal entre uma refeição e outra?

Juliana – Não. O ideal é respeitar seu organismo e não se deixar levar por ataques de ansiedade, o que normalmente levam as pessoas a fazer más escolhas à mesa.

Michel – Não. O que precisa ser levado em conta é a necessidade real do nosso organismo em nutrir-se. Nosso corpo tem mecanismos fisiológicos de fome e saciedade que quando respeitados nos sinalizam o momento de nos alimentarmos.

 

A alimentação de 3 em 3 horas pode ser ainda uma boa opção para quem, por exemplo, nunca fez uma reeducação alimentar e é sedentário?

 Juliana – Tudo depende de como funciona o corpo de cada um, mas em geral é uma boa estratégia para controlar a glicemia e a ansiedade (evitando que a pessoa fique beliscando o tempo todo)

Michel – Sim. Dentro de uma dieta balanceada, usar a estratégia de comer de 3 em 3 horas é interessante para criar rotina e disciplina quando a pessoa está com seus horários de refeições desorganizados.

 

O mais importante é ter um tempo entre uma refeição e outra ou saber o que se come em uma e na outra refeição?

Juliana – Com certeza saber fazer escolhas à mesa. A nutrição é uma ciência muito nova e muitas pesquisas ainda vão surgir, mas está mais que comprovado que a composição da dieta é o fator mais importante na alimentação.

Michel – A alimentação deve ser levada a sério em nossa rotina. Nossas escolhas influenciam diretamente nossa saúde e isso vai além do ganho e perda de peso. Tem relação com qualidade de vida e prevenção de doenças. Ter tempo para preparar uma refeição equilibrada e com alimentos mais nutritivos é mais importante que apenas comer levando em consideração o valor calórico do alimento.

Como melhorar e aumentar a taxa metabólica basal? É comer mais vezes ao dia ou ter uma dieta rica, por exemplo, em vegetais?

Juliana – Vários fatores auxiliam a aumentar o metabolismo como comer de 3 em 3 horas, consumir fibras, proteínas e gorduras, além de praticar exercícios físicos e respeitar o momento de descanso, ou seja, dormir bem. No entanto, existem ferramentas que ajudam a desvendar como o metabolismo de cada um funciona e se as estratégias escolhidas pelo profissional estão funcionando para o objetivo do indivíduo.

Michel – A participação dos alimentos no aumento do metabolismo é muito pequena. A prática de atividades físicas e ganho de massa muscular promovem esse aumento de forma mais efetiva e duradoura. Minha indicação é sempre priorizar uma alimentação que atenda às necessidades do organismo e auxiliem no ganho de massa muscular e melhorar a performance nas atividades físicas. A hidratação tem um papel importantíssimo nessa fase e é muitas vezes negligenciada.

Até semana que vem!