A estrada estava interditada havia três horas. Um caminhão de óleo diesel tombara na subida da serra. Limpar a pista era um trabalho lento e complexo, dizia a notícia que corria de carro em carro, num telefone sem fio facilitado pelos rádios dos caminhões que dividiam com os carros a centena de quilômetros de congestionamento. Não havia previsão de liberação da pista. Passavam dez carros e a fila parava de andar por mais quarenta minutos. O ar condicionado já não fazia efeito sob o sol do meio dia. Éramos três no carro. Eu, dirigindo, e meus dois filhos no banco de trás, um de dezessete anos e outro de quatro.

Foi do mais velho que veio a ideia. Sair dali, fosse para onde fosse. Cinco metros adiante, havia um espaço entre a mureta de proteção da estrada e um morro. Nesse espaço, havia um barranco pouco inclinado, tipo um pasto que terminava em uma estradinha lá embaixo. Ficamos ainda uma meia hora esperando a fila andar os “dez carros por vez” e saímos por ali. Começamos a procurar um caminho alternativo para voltar à estrada. Andamos e nos perdemos. Até que encontramos o Seu Juvenil. Ele dirigindo um caminhão quando buzinei para perguntar se sabia como podíamos voltar à rodovia. “Peraí que eu vou explicar”.

Confesso que fiquei completamente arrependida de ter pedido informação. Ele estacionou o caminhão, desceu e nos convidou para entrar no seu alambique, em frente, para desenhar um mapa de um atalho pela estrada de “chão cortado” (estrada de terra). Economizaria uns quarenta quilômetros. De costas para a estrada, a mão envelhecida e manchada do Seu Juvenil desenhou um mapa com a marcação de dezoito bifurcações e as direções que devíamos tomar em cada uma delas. Pensei “isso não vai prestar”. Não tinha como ele acertar tudo. Mas, como não tínhamos outra opção, resolvi seguir o mapa, desenhado no verso de um convite de casamento. Em menos de vinte minutos, chegamos à rodovia, à frente do acidente, e conseguimos finalmente continuar a viagem e chegar em casa. À noite, antes de dormir, fiquei pensando no Seu Juvenil, em toda a aventura que havia sido aquela viagem e percebi que havia aprendido três coisas que poderiam ajudar a ter um ano diferente e melhor.

1)      Sempre há um caminho alternativo:

Eu teria ficado para todo o sempre na fila de carros, esperando andar, se não fosse meu filho pensar em sair dali. Temos o hábito de ficar onde estamos, mesmo quando não estamos bem, apenas por medo de enfrentar o desconhecido. Por pior que seja a situação, sempre há uma alternativa, precisamos apenas estar abertos a procura-la e arriscar.

2)      O conhecimento é a base do sucesso:

O mapa do Seu Juvenil só funcionou porque ele conhecia cada centímetro daquela estrada. Quando temos o domínio sobre algo, as chances de dar errado são mínimas. Isso vale muito para o trabalho. Geralmente fazemos muita coisa no impulso, sem estudar e avaliar direito. É preciso estar disposto a aprender e conhecer para poder ter êxito em qualquer profissão ou negociação.

3)      Não custa ajudar quem precisa:

Na correria do dia a dia, deixamos muito pouco espaço para ajudar quem está precisando. Seu Juvenil parou o que estava fazendo para nos ajudar a encontrar um novo caminho. Não custa fazermos o mesmo. Dedicar alguns minutos do dia para o outro pode tornar o mundo um lugar melhor para todos.