Decidi que precisava mudar. Colocar um ponto final em todas as pendências que vem se arrastando junto de mim. Desde “praticar atividade física regularmente” a “não olhar o horóscopo em três sites diferentes todos os dias”. Acordei disposta a ser uma nova mulher e a fazer uso mais proveitoso da minha vida. Segui o primeiro passo dos vários que eu li por aí que precisam ser seguidos para se viver bem e melhor, ser uma pessoa mais feliz e produtiva: coloquei no papel. Uma lista com tudo o que deveria ser cumprido.

Pensando numa maneira de aumentar a possibilidade de seguir as metas estipuladas, recorri à agenda de e-mail do Google. Quando a descobri, foi como descobrir o paraíso! Fiquei maravilhada por ela me avisar no celular sobre um compromisso uma hora antes. Eu não precisava ficar preocupada, me policiando para não esquecer ou confundir o dia, a agenda fazia isso por mim. No começo, eu só recebia avisos quando as pessoas me enviavam convites para reuniões. Depois, vi que eu mesma podia criar compromissos e me auto enviar lembretes. Não demorou para eu ampliar a utilização da agenda para coisas importantes que eu provavelmente esqueceria, tipo: “ligar no dentista, sexta-feira, às 9:00”. Daí a recorrer à agenda para me ajudar com a lista, foi um triz. “Ser mais gentil”, “Não espremer a perna”, “Ser mais paciente”, etc etc etc etc.

O problema foi que, quando dei por mim, eram tantos os compromissos e coisas que eu precisava melhorar, que os horários se encavalaram. Eu recebia avisos no celular o dia todo e às vezes não sabia se tinha horário na Receita Federal ou se era para mastigar durante trinta segundos seguidos. Fiquei esgotada, exausta, sucumbida. Deletei todos os compromissos da agenda, inclusive os que eu não podia deletar, e me entreguei ao que nos resta nessas ocasiões: à frustração. A conclusão foi simples: se eu não consigo organizar a minha própria lista, como é que vou dar conta da minha vida? E olha que ela envolve filhos, marido, casa, trabalho, cabelo, barriga, vizinhos, chuva, trânsito, desmatamento na Amazônia, passeata na Paulista, o bendito exaustor da cozinha que agora deu pra fazer barulho.

O que era para ser uma grande ajuda, tornou-se um caos e me fez me sentir ainda mais perdida. Além, é claro, de me ter feito pensar: “se eu tenho que melhorar tanto assim, talvez eu seja uma bela porcaria”.  Mas, sou brasileira e não desisto. Antes de aceitar o rótulo de “pior pessoa do mundo”, liguei para a minha tia pedagoga e pedi ajuda. Ela riu e me disse o que, no fundo, eu já sabia: que ninguém consegue mudar tudo ou tanto de uma vez. Que é preciso focar, escolher uma coisa depois da outra, um passo depois do outro. Resolvi então que a minha primeira missão será aceitar que eu não posso abraçar o mundo. Se eu conseguir entender, aceitar e praticar isso (não assumindo mais compromissos do que humanamente seria possível), talvez o resto eu também consiga. E, bom, restaurei a agenda e rasguei a maldita lista.