E Thriller chegou aos 30. Muito mais do que os números de vendas, dos recordes e dos prêmios, é preciso destacar a influência da obra-prima de Michael Jackson para a música. Ela é imensurável. Não dá para imaginar o pop como conhecemos hoje se aquele jovem prodígio não tivesse se juntado a Quincy Jones para escrever Billie Jean, Beat It, Wanna Be Startin’ Something – esta última, para mim, a produção mais brilhante de toda carreira do astro. Porque foi Thriller que inaugurou a era de videoclipes na TV. E foi com ele que a MTV de fato nasceu.

Antes de Thriller, a música negra norte-americana não ganhava as rádios mainstream, tinha espaço apenas em emissoras do gênero. Com o fenômeno Billie Jean, primeira canção do disco a estourar com força, esse separatismo caiu por terra: jovens brancos e negros, enfim, ouviam a mesma música, nas mesmas rádios.

Os 30 milhões de cópias vendidas só nos EUA não são, repito, o maior mérito do álbum. Mas dão ideia do tamanho do impacto da obra. E se é para falar em números, vá lá: a mágica se repetiu sete vezes. Das nove canções do álbum, apenas duas não chegaram aos primeiros lugares da Billboard – porque não foram lançadas. Nenhum outro artista conseguiu tanto com apenas um disco.

Por outro lado, se Thriller foi a consagração de Michael, também foi o início de seu declínio: ele nunca mais venderia tanto, nem emplacaria tantas canções no topo, nem ganharia tantos prêmios. Isso o incomodava: sua meta era vender 100 milhões de cópias com Bad (1988) e Dangerous (1991). Não chegou nem perto. O inferno pessoal do astro também começaria logo em seguida: o poder e prestígio alcançados com Thriller deram a ele carta branca para viver da forma que queria, sob a realidade que imaginasse. E então veio o isolamento em Neverland, as extravagâncias sem fim, a rixa com a imprensa. Nos anos a seguir, Michael viveria como um personagem de si mesmo.

Para a música, porém, Thriller deixou um legado mágico. Mais do que um disco, merece ser lembrado como um fenômeno cultural, ainda imbatível e atemporal.

(À época da morte de Michael, escrevi uma longa reportagem sobre a carreira do rei do pop. Se deu vontade ler mais, continue lendo aqui. Também selecionamos dez curiosidades sobre o álbum.)