Não tem como ouvir SOS e Tough Love, as faixas já reveladas do álbum póstumo do DJ e produtor Avicii, sem notar sua criatividade e capacidade de reinvenção. Vale lembrar que o sueco, ao longo de sua breve e arrebatadora carreira, nunca ficou no mesmo lugar: seu segundo disco, Stories (2015), é bastante diferente do consagrado primeiro, True (2013), apesar de toda pressão da indústria fonográfica para que ele repetisse a fórmula do brilhante álbum que trouxe à tona Wake Me Up, Hey Brother e tantos outros sucessos que levaram o artista a um patamar de fama que foi muito além da esfera da música eletrônica.

Nas novas faixas, que estavam sendo produzidas até pouco antes da morte do sueco, em abril de 2018, ele traz elementos completamente novos para sua sonoridade. SOS, escolha mais fácil para primeiro single, tem a assinatura de Avicii, com uma melodia irresistível, e já emplacou em primeiro lugar em paradas de sucesso de mercados importantes como Alemanha, Suécia, Japão, Austrália, entre outros. Apesar da obviedade da escolha dos vocais – será que Avicii teria indicado mesmo que queria mesmo repetir o cantor de seu maior maior sucesso, Aloe Blacc? -, a faixa mostra uma sonoridade fresca, sob medida para os festivais de verão no hemisfério norte.

A cereja do bolo, porém, está em Tough Love. A faixa, que vinha sendo produzida desde 2016, ano em que Avicii anunciou sua aposentadoria dos palcos, ganhou uma sonoridade totalmente diferente nos últimos meses de vida do DJ. Com influência indiana e coprodução de Vincent Pontare e Salem Al Fakir – que também trabalharam em Silhouettes, Hey Brother e Without You -, a faixa traz violinos e uma estrutura melódica completamente fora do quem vem sendo produzido na cena eletrônica. É de se pensar quais caminhos ele seguiria se continuasse a produzir faixas assim. Uma coisa é certa: Avicii ainda havia muito a mostrar.

Tim, o álbum que o sueco deixou como seu testamento musical, tem lançamento mundial marcado para 6 de junho.