Louis Vuitton Trainer 408

Estava eu andando pelo shopping sem nenhum objetivo específico além comer alguma porcaria quando me deparo com uma loja da Diesel. Um tênis me chama a atenção na vitrine, o Prototype Low da foto abaixo. Dou três passos à frente para ver os detalhes daquela belezura e o preço de R$ 3.295 me faz recuar os mesmos três passos. Penso “quem paga mais de 3 mil num tênis da Diesel?”. Olho para dentro da loja e há um casal vendo o sneaker de forma bem animada, a ponto do vendedor ter de se atrapalhar muito para não pegar sua comissão na entrega de um par do Prototype.

Neste momento minha cabeça jordanzeira e yeezeira é arrebatada por uma sentença definitiva, de que os tênis High End vieram mesmo para ficar. E que seu público abre a carteira em suas direções mais pela exclusividade que isso lhes confere do que pela história ou qualquer outro motivo que permeia a cena sneakerhead raiz.

Diesel Prototype Low

As marcas de luxo já vinham fazendo seus tênis, mas eles estavam mais para sapatênis do que para o conceito de sneakers das marcas mais populares. Isso começou a mudar com o LV Trainer da Louis Vuitton no início de 2019. O projeto de Virgil Abloh trouxe a moda urbana para dentro do luxo e fez ricos de berço, artistas e jogadores badalados de vários esportes tiraram os olhos de modelos hypados de Nike e Adidas por um momento.

O mesmo caminho de sucesso foi seguido pela Balenciaga e seu Triple S em 2021. E depois pela Gucci com o Basket e pela Prada com o Cloudbust Thunder. Todos com preço de venda superior a R$ 5 mil, chegando a até 8 mil e tanto do LV. Estas mesmas marcas já possuem outros modelos hoje, mas a demanda reprimida pela pandemia fez com que estes pioneiros explodissem em vendas depois que os passeios, shows e baladas foram liberados.

Gucci Basket

Basta dar um giro pelos verificados do Instagram para ver caras bastante conhecidas do público com um deles nos pés. O mercado, que antes era dominado por Jordans, Dunks, Yeezys e Forums raros, em edições especiais, agora encontram rivais de peso nas marcas de luxo. Algo que não era sequer cogitado há cinco anos por ninguém da cena sneakerhead.

Um bom exemplo disso foi o bootleg da Converse rasgado feito pela Balenciaga que ganhou o noticiário recentemente. Se eu voltasse no tempo e contasse numa roda de amantes de tênis que um modelo feito bela Bale, o Paris Sneaker, todo rasgado e com uns escritos borrados, ia custar R$ 10 mil, mais que um Air Jordan 1 Chicago 2015, por exemplo, todo mundo ia dizer que eu fiquei maluco. Mas o tênis está lá nos pés da influencer Gkay e no de centenas de pessoas pelo mundo para provar que não estou delirando.

Balenciaga Paris Sneakers

Vem com box

Outro tênis de uma marca chique também fez sua estreia no Brasil. A Lacoste começou a vender o L001, modelo feito de couro sintético e camurça, com uma pegada mais clean, mas bem tênis, totalmente destacada dos sapatênis clássicos da marca. Há também uma versão feminina, toda de camurça, bem colorida e com visual interessante. O lançamento do modelo ocorreu na loja da Lacoste no Shopping Iguatemi e teve a presença do artista Romulo Deu Cria, que estava customizando os pares de todo mundo que desembolsou R$ 900 para levar um L001 para casa.

Lacoste L001 customizado

Só no lace

Dropa nesta terça nas lojas físicas da Guadalupe o Adidas Yeezy 700 V3 “Copper Fade”. O modelo, que tem um degradê que vai do cobre ao cinza por todo o cabedal, terá numeração do 34 ao 45 e será vendido por R$ 1.300.

A Nike dropou no Brasil a coleção Be True, em homenagem à comunidade LGBTQIA+. Ela é composta pela sandália Oneonta, que tem tiras coloridas e respingos de tinta na entressola, e por um Cortez que tem vários swoosh sobrepostos no cabedal e o arco-íris na entressola. Mas o destaque mesmo é um SB Dunk Low (R$ 900) com cabedal branco que pode ser esfregado para desbotar e revelar outras cores no couro. Como é possível escolher onde desgastar ou não, o tênis permite várias opções de personalização.

Nike Dunk Be True