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Perguntam se sou claustrofóbica, já que tenho que ficar deitada dentro de um tubo estreito. “Não! Imagina. Estou acostumada com ambientes opressores. Sou jornalista”, digo.

Entro na sala do exame em um daqueles pijamas do hospital. Confortável, nada de metal é permitido, ou seja, não há nada me apertando. Sinto frio e digo que não vou aguentar os 40 minutos de exame em uma sala gelada como aquela. Eles me trazem um cobertor muito fofo. Deito.

Logo um enfermeiro me traz uma espécie de campainha que tenho que segurar para tocar se passar mal. Dispenso, mas coloco ao lado do corpo. Tenho certeza que ela não será necessária. Depois ele me dá um protetor auricular daqueles que os funcionários do aeroporto usam. Coloco nos ouvidos. Na sequência me traz um fone de ouvido gigante que faz com que eu não ouça mais o que ele diz. Que maravilha.

Logo na sequência meu corpo desliza para dentro do tal tubo. Fecho os olhos, mas não porque estou assustada e sim porque quero aproveitar cada instante de paz absoluta. Serão 40 minutos, disseram. Não me lembro de ter tido 40 minutos como esses há muito tempo.

Meu filho hoje em dia dorme relativamente bem. Às vezes tem pesadelo, às vezes sente medo e sempre pula para nossa cama – onde sempre é bem-vindo, aliás. Por isso não entro no tubo com nenhum sono fora do comum. São apenas 3 da tarde.

Logo começo a cochilar e nem aquele barulho absurdo da máquina de ressonância é capaz de me tirar do estado zen em que entrei. Não posso ser alcançada, não posso ser interrompida – não adianta me ligar, não adianta me chamar, não adianta dizer que só precisa de “um minutinho”. Eu não posso ser incomodada agora por re-co-men-da-ções-mé-di-cas. Nada mais libertador.

Quarenta minutos depois o rapaz vem me tirar do tubo gigante. Eu estava lá, mas com a alma e o pensamento longe. Tiro os fones e pergunto: “Posso voltar semana que vem?”

Post em homenagem às mães que estão com os filhos de férias e mantendo a mesma rotina de trabalho, ou seja, à beira de um ataque de nervos.

PS:  Não tenho nada grave, leitores, apenas problemas nos joelhos – que esfregam na minha cara que os 40 chegaram e deixaram os 20 cada vez mais longe.

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