A primeira história do Podventura, disponível em plataformas como Deezer, Spotify e Itunes

Podcasts sobre política, feminismo, maternidade, paternidade, cultura, profissões, astrologia. Há podcasts praticamente para todos os gostos e públicos, basta abrir sua plataforma preferida e navegar pelas opções. O crescimento desse mercado é palpável. Segundo pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência,  4 em cada dez brasileiros já escutaram algum programa de áudio pela internet, ou seja, cerca de 50 milhões de pessoas já consumiram esse formato. E se as crianças pareciam estar à parte desse admirável mundo novo, não estão mais graças ao publicitário e escritor Fernando Rodrigues, 58, criador do recém-lançado ‘Podventura’.

Rodrigues, que trabalhou em agência de publicidade por mais de trinta anos e foi parceiro de Fernando Meirelles na adaptação da série ‘Felizes para Sempre?’, da TV Globo, decidiu realizar o sonho de uma vida e virar escritor. Foi assim que nasceu ‘Três irmãos em perigo num mundo cruel’, livro que driblou a anemia do nosso mercado editorial e foi lançado em formato de podcast antes de chegar as livrarias. Segundo Fernando, que é pai de Lia, 21, Ana, 18, e Bel, 8, algumas adaptações foram feitas à história original, “apenas o começo e o fim dos capítulos para que as crianças não se percam”. Elas, inclusive, são chamadas pelo narrador do podcast (que é o próprio Fernando) de “leitores”. E em vez de episódios, ‘Podventura’ tem 13 capítulos, assim como o livro.

O ex-publicitário e agora escritor Fernando Rodrigues gravando ‘Três irmãos em perigo num mundo cruel’ ao lado de Ignácio Sodré, que compôs a trilha e as músicas

‘Três irmãos em perigo num mundo cruel’ conta a história de porquinhos que são mandados embora de casa pela mãe. Na verdade, ela ajuda os filhos a fugirem quando percebe que se não dessem no pé, virariam o jantar do dono do sítio onde moram. Os irmãos Baldo, Téo e Bel ‘caem no mundo’, enfrentam uma série de perigos e também vivem várias aventuras.  “Construí uma narrativa debochada que fosse simples o bastante para as crianças entenderem e complexa o suficiente para elas se sentirem inteligentes”, explica Fernando, que não esconde que se divertiu tanto escrevendo quanto gravando a história. “Foi uma delícia fazer a narração naquele tom meio debochado, meio trágico”, completa.

Blog: O nome do livro também era “Três irmãos em perigo num mundo cruel?” Por que não lançar ‘apenas’ o livro? Por que lançá-lo em formato de podcast?

Fernando:  (O nome) era ainda maior e mais bombástico: ‘Os terríveis infortúnios de três irmãos num mundo cruel’. Se tudo correr bem, ainda publico o livro também. Mas publicar um livro depende das editoras e o podcast nós fizemos sozinhos e temos potencial de falar com muito mais gente. Desde que eu comecei a escrever o livro, sempre pensei nele como uma história para ser contada em voz alta.

Blog: O formato da história, em áudio, lembra muito as historinhas da minha infância, que eram ouvidas em discos ou fitas cassete. Você tem essa lembrança também?
Fernando: Os disquinhos do Braguinha eram sensacionais e a gente ouvia até furar. Eu sempre brincava com as minhas filhas cantando a música da dona Baratinha e do João Ratão imitando as vozes.

Blog: As crianças de hoje em dia são muito visuais e desde pequenas muitas já têm acesso a telas, como tabletes e celulares. Por que você acha que o podcast pode ter apelo para essa geração? Qual a faixa etária que você acredita que se interessará mais pela história?

Fernando: O fato de as crianças estarem acostumadas a formatos mais complexos é mais um motivo para a gente acreditar no podcast e de tantas editoras estarem apostando em audiolivros. Ouvir uma história que soa como um filme é bem mais envolvente do que ler um livro, mas ainda preserva espaço para a imaginação. Acho que o Podventura é para se ouvir durante uma viagem ou no trânsito, mas também antes de dormir, num momento de um pouco mais de introspecção.
Blog: Por que a escolha dessa figura dos porquinhos? Tem alguma relação com a fábula dos Três Porquinhos – que também são irmãos, que também fogem algumas vezes para não virar comida?
Fernando:  Não sei dizer o porquê exatamente, talvez por que começar de uma história famosa e ir preenchendo as lacunas tenha me ajudado a canalizar a história. E também por que quando eu era pequeno nunca entendia por que a mãe dos porquinhos tinha mandado eles embora e quando parei pra pensar achei que a resposta era óbvia.
Blog: Acha que as crianças podem se sensibilizar com a premissa de que a mãe os incentivou a fugir para não virarem “jantar”?
Fernando: Acho que sim, por que na verdade é um recurso desesperado, ela sofre muito por mandá-los embora. É uma cena bem triste. Mas também era necessário para o roteiro, ir para longe da mãe obriga os personagens a amadurecer.

Fernando e a filha Bel, 8 anos. Heroína da história foi inspirada na filha

Blog:  Há menções escatológicas e quem é mãe sabe: referência a puns e cocô sempre fazem as crianças darem risada. Que outras passagens e truques foram pensados para que os pequenos se divirtam?
Fernando: Acho que o narrador é o tempo todo um gozador. Mas eu tenho que admitir que a escatologia infantil é um sucesso.
Blog:  Há questões na história que foram pensadas para que as crianças reflitam?
Fernando: Eu achei que tinha que ter uma protagonista menina por duas razões: a primeira é que já têm protagonistas meninos demais nas histórias de aventura e acho que as meninas também têm que se ver como heroínas. A segunda é por que eu fiz essa história para minha filha menor: ela é a Bel citada no livro. Depois o enredo foi me pedindo coisas e surgiu o fazendeiro que queima a floresta, o lobo mau que foi traficado do Alaska e até o papel da imprensa que ajuda a ‘resolver a parada’. Mas está tudo dentro da história, no nível de entendimento das crianças.
Blog: Você é quem faz todas as vozes do podcast ou há participações especiais?
Fernando: Fiz quase todas as vozes, mas tem algumas participações especiais. A Graziela Azevedo (repórter do Jornal Nacional) fez uma participação no papel de Graziela Azevedo. Falei com ela, ela topou, gravou, mandou e ficou perfeito. E tem minhas filhas fazendo a Chapeuzinho Vermelho, gritos e risadas. E Ignácio Sodré, da Coletiva Produtora, compôs a trilha e as músicas do Podventura.
Blog: Atenção, alerta de spoiler aos leitores da matéria. A história tem final feliz? Como você pensou o enredo?
Fernando: Claro que tem final feliz, as crianças não suportam finais tristes! E eu quero que elas se divirtam!
Blog: Pretende lançar mais livros/podcasts?
Fernando: Pretendo lançar muitos. Já estou escrevendo a segunda história “A menina que caiu do céu” sobre as aventuras de uma garota de sete anos sozinha na Amazônia.
Podventura já está disponível nas principais plataformas de Podcast, como Spotify, Deezer e Itunes.