Volta às aulas

Foto: Pixabay

Entramos no elevador eu, marido, meu filho e sua mochila de rodinhas. Cumprimentamos uma vizinha que também descia para a garagem com os dois filhos e suas lancheiras.  Mal conseguíamos disfarçar o sorriso no canto do lábio e o brilho no olho: nossos filhos (ufa, finalmente, uhuuuu!) estavam voltando para a escola.

-Nossa, as aulas estão começando cada vez mais cedo!, comento, para quebrar o gelo. A vizinha revira os olhos e faz aquela cara silenciosa de graças a Deus, não via a hora, mas não se sente a vontade de verbalizar o alívio em voz alta porque, né, pega mal, pais incríveis iguais aos da propaganda e das redes sociais adoram a presença dos filhos em tempo integral (mesmo tendo que cuidar deles, da casa, do trabalho e do restante da vida tendo o dia apenas as 24 horas habituais).

Na escola pais e mães mostram sua vocação para equilibrista. Estão ali, no meio do expediente, participando da adaptação dos pequenos e das boas-vindas para os maiorzinhos. Em vez de pratinhos equilibrados por varetas, celulares onde respondem e-emails e atendem ligações enquanto enxugam as lágrimas que teimam em rolar no rosto – nossos filhos, veja só, até estão banguelas, mas não são mais bebês. Alguns já têm até o cartão para fazer compras na cantina, lancheira é coisa de criancinha, mamain! 

Uma hora depois o portão se fecha com seu filho dentro e você tem todo o tempo do mundo de volta, ufa, quero colocar em dia o trabalho atrasado, voltar para o Pilates e para o curso de francês. Mas fica alguns minutos meio perdida, sem saber que rumo tomar. Chega em uma casa enlouquecidamente silenciosa e não sabe o que fazer primeiro. Alguns minutos depois está de olho no relógio, ansiando pelas seis da tarde – hora em que o guri vai voltar da escola.

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