Newborn

Dando um giro pelos portais e jornais do mundo como faço todas os dias percebo que as editorias femininas adoram matérias como “As x coisas que você tem que fazer para seu filho dormir a noite toda”. Cliquei em uma dessas reportagens postadas em um site gringo e li a história de um um casal que sofreu muito com as noites insones do filho recém-nascido (quem nunca?) e que, por isso, procurou uma dupla de pediatras de Nova York que teve uma brilhante ideia e criou um “método”. Esses médicos escreveram um livro para ensinar sobre esse momento de epifania.

O tal método espaça os horários das mamadas, que devem ser durante o dia de 4 em 4 horas, e assegura que a técnica  foi testada “por 20 anos e alcançou sucesso superior a 90%”, ou seja, 9 em cada 10 bebês recém-nascidos ‘testados’ dormiram de 7 a 8 horas por noite ‘para alívio dos pais’. (Aspas da matéria do site gringo).

Pausa para muitos risos.

Além de não dizer se combinou com os russos, quer dizer, com os bebês (de que eles só vão poder mamar a cada 4 horas), os tais pediatras garantem na entrevista ao site que nem todo choro é fome (não me diga?) e que o choro é “um jeito que o bebê tem para se comunicar conosco” (não me diga – parte 2). Termino o texto sem entender que método é esse, mas sou convidada a comprar o “Newborn Sleep Book” de uns tais Dr. Lewis e Dr. Jonathan Jassey.

Há também outros livros que ensinam o método do “deixa chorar”. O que se propõe é o seguinte: Se o bebê se recusar a dormir e começar a chorar, ignore o seu filho e o deixe horas no berço gritando. Ele uma hora vai dormir. Claro que vai. Assustado com esse mundo que não sabe direito como funciona e sem o colo quentinho da mãe ou do pai ele vai se cansar e, por isso, (mas só por isso) vai dormir, resignado. Bebês não choram porque são manhosos ou porque estão testando seus limites. São os adultos que agem assim. Bebês choram porque sentem medo, fome, solidão e até porque estão com sono. Choram porque essa é a língua que conhecem. Esse é o normal. Cabe a você se enquadrar nesse esquema, não achar que o bebê tem um problema e querer que ele banque o adolescente e durma a noite toda.

Confesso que as noites insones do começo da vida do meu filho foram enlouquecedoras. Mas, para não pirar, contei com a ajuda do marido e da minha irmã. Quando eles assumiam algumas tarefas como trocar a fralda e colocar para arrotar eu eu podia descansar um pouco mais.  Nós, adultos, é que temos que nos adequar às necessidades deles. Essa é a lógica.

Só recentemente o Samuca começou a dormir a noite toda e acordar, eventualmente, depois das 9 horas da manhã – um fato inédito até então em seus quase cinco anos de vida. Compartilhamos a cama sempre que ele tem medo ou pesadelo e, mesmo que a gente não consiga dormir maravilhosamente bem com uma terceira pessoa na cama, sempre o recebemos e dividimos os travesseiros. Então, em vez de gastar uma grana com livros que prometem a fórmula mágica, ouça um bom conselho que (assim como Chico Buarque) eu lhe dou de graça: Dê tempo ao tempo. Eles vão dormir a noite inteira assim que estiverem prontos. Fim.

PS: Se você tiver um filho recém-nascido que dormiu a noite inteira, não comemore. De repente, não mais que de repente, tudo pode – e vai mudar.

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