maternidade

Criança nasce e começa o oba-oba da família e dos amigos. E a pergunta mais ouvida no cafezinho do escritório, elevador do prédio ou nas rodinhas de conhecidos do casal é uma só: “Já foi visitar o bebê?” O que muitas mães, principalmente as que não são de primeira viagem, pensam, mas não dizem, é que não querem que você vá. E não porque não gostam de você. Não dizem por vergonha mesmo, já que ninguém em sã consciência recusa uma visita cheia de boas intenções, flores e presentes. As de primeira viagem querem que você vá porque não têm a mínima ideia do que vem por aí então até capricham na encomenda dos “bem-nascidos” para receber a galera (e tem casais que contratam buffet para os convidados com a concordância do hospital – que muitas vezes não permite acompanhante, não permite doula, não permite parto na banheira. Mas permite buffet. )

As primeiras horas de um bebê costumam ser trash, rock´n roll, uma coisa “Living la vida loca” do Ricky Martin (já assistiu ao clipe?). Mas quase ninguém admite isso com todas as letras. Como agora eu já sei disso vocês não me verão em uma maternidade tão cedo. A não ser que eu decida ter outro filho (porque daí eu sou obrigada já que, infelizmente, não tenho coragem para um parto domiciliar) ou minha irmã ou melhor amiga decida ter um bebê.

Tive um parto normal super legal e tranquilo, mas que durou quase DEZ horas. Cheguei no quarto com o bebê às nove da noite e não consegui dormir porque estava naquela adrenalina e também porque fiquei abraçada ao meu filho durante a madrugada toda.  O dia amanheceu e começou uma maratona de visitas que começou às nove da manhã e terminou às dez da noite. Eu queria muito aprender a amamentar, mas não me sentia à vontade em continuar a testar formas de fazer ele pegar meu peito com tanta gente dentro do quarto. Precisava de sossego. E não tinha. (Mães de cesárea ainda têm que lidar com os pontos – e são vários, já que sete camadas de pele e músculo são cortadas, vai vendo.)

Segundo dia de maternidade, a mesma coisa. Visitas e mais visitas e a amamentação ainda na estaca zero. A pediatra mandou trazer um bico de silicone que pelos mesmos motivos eu também não conseguia testar (só muito tempo depois soube que foi neste exato momento que minhas chances de me dar bem no quesito amamentação foram por água abaixo, assunto para outro post). Muitos de vocês podem dizer: “Mas por que não pediu para as pessoas saírem alguns minutos do quarto?”. Você conseguiria se dedicar em paz a qualquer projeto na sua vida sabendo que há pessoas esperando por você do outro lado da porta, olhando para o relógio? Então.

Os primeiros dias em casa também não foram fáceis. Com a chegada da bombinha de tirar leite já que meu projeto amamentação estava naufragando eu tinha que estar de pé de duas em duas horas – uma hora antes do horário que o bebê costumava acordar – para ordenhar leite materno. Como decidi não ter babá que dormisse em casa: “onde já se viu meu filho chorar e não ser eu a socorrê-lo?” virei uma morta-viva. E pedia para que meu marido gentilmente encontrasse desculpas para eu não ter de receber as pessoas. Eu só queria dormir todo tempo que fosse possível para me recuperar. E as visitas chegando em casa, em looping. E quando eu estava sozinha com o bebê? Telefone tocando in-sis-ten-te-men-te, que eu quase nunca conseguia atender e quando podia era brindada com um: “Nossa! Por que você não atende esse telefone?”  Compreensão com a puépera mandou um beijo, não é mesmo?

Por isso eu não vou te visitar na maternidade. Também não vou aparecer na sua casa nos primeiros meses.  Mas é só por isso, já que te mandei flores e felicitações pelas redes sociais. Quando você estiver bem, recuperada e seu bebê tiver tomado todas as vacinas, prometo aceitar um convite para um passeio na pracinha. Mas espero você me ligar, combinado?

PS: Para as pessoas que viram meu bebê em casa e na maternidade, obrigada. Mesmo. Eu me senti muito amada e lembro com muito carinho de todos vocês. Vocês não sabiam como eu estava me sentindo. Agora sabem.

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