Gabriel Alves 3

O músico Gabriel Alves tentou assistir ao parto da filha, Safira, na madrugada da última terça, 23/02, no Hospital Beneficência Portuguesa de Campos, interior do Rio de Janeiro. Foi impedido e fez um relato sobre sua saga no Facebook. “Com a lei embaixo do braço fui barrado de ver o parto da minha filha e não queriam deixar eu ficar como acompanhante”, conta. Gabriel afirma ainda ter telefonado duas vezes para a Polícia Militar que disse que nada podia fazer. Mesmo assim ele conseguiu, com a ajuda de um amigo, que uma viatura fosse ao hospital. Um vídeo foi gravado por um conhecido do pai. Nele é possível ver Gabriel lendo a uma médica a Lei Federal 11.108, chamada “Lei do acompanhante” que permite, desde 2005, que todas as gestantes atendidas pelo sistema público ou privado tenham direito a um acompanhante, indicado por ela, durante o parto e pós-parto. A médica diz conhecer a lei. “Eu sei qual é a lei. Sabe por que você não pode? Por que o diretor do Hospital não permite”, diz no início do vídeo.

Depois a médica explica que não há estrutura para que o pai permaneça com a mãe porque todas as mulheres que deram à luz ficam em um alojamento coletivo o que para a ONG Artemis, que luta pelos direitos da mulher, não justifica o não cumprimento da lei. “A lei é de 2005 e três anos depois, em 2008, a Anvisa ainda deu um prazo de 6 meses para todos os hospitais se adaptarem”, afirma.  “Se não há espaço para acompanhante o hospital pode ser fechado pela Vigilância Sanitária”, completa Ana Lucia Keunecke, Diretora Jurídica da ONG.

A discussão entre o pai e a médica continua. Gabriel não desiste de fazer a médica ouvir a lei na íntegra. A profissional perde a paciência e diz que a entrada dele “desrespeitaria as outras pacientes”. “O senhor está aporrinhando aqui desde a hora que chegou”, diz a médica. E cede: “O senhor quer entrar? Pode entrar. Para mim é indiferente. Pega sua lei. Guarda sua lei. Pode entrar”. Quando Gabriel conseguiu finalmente transpor o bloqueio para ficar junto da esposa, sua filha já tinha nascido. “Brasil , uma vergonha onde um pai dentro da lei teve de lutar pra conseguir ficar com a filha!”, afirmou. “Bati de frente e fiquei na maternidade a noite toda do lado da minha filha! Deixo um apelo pra todos os pais, corram atrás dos seus direitos ! Pai tem participação ativa sim!”

Horas depois, também pelo Facebook, Gabriel contou aos amigos que as outras mães elogiaram sua atitude de lutar para ficar ao lado da família e que ele saiu do alojamento todas as vezes que alguma puérpera precisava de mais privacidade. Ressaltou também que amamentação dos bebês não é motivo para não permitir um pai de ficar junto com outras mães.

Gabriel alves 2

O blog entrou em contato com a ouvidoria do Hospital Beneficência Portuguesa de Campos, por e-mail, mas ainda não obteve resposta sobre o caso. Os dois telefones que aparecem como disponíveis no site do hospital não atendem.

Leia mais: “Não me corta!” Mulheres imploram mas mesmo assim são mutiladas durante o parto normal 

Leia também: A culpa é da mãe!