solteira

Cheguei a contar em outros posts que estou com o marido longe, viajando a trabalho. Estive de férias na maior parte do tempo e só por isso consegui dar conta de tudo e da carência do pequeno (também investi na cama compartilhada e dormi com ele todas as noites, sem medo de ser feliz). Mas passamos por momentos difíceis, como aumento da birra do guri e fantasias de que o pai ia chegar a qualquer momento – ele não podia ver o carro do pai estacionado para acreditar que iria pegar o elevador e encontrá-lo em casa.

A primeira coisa que fiz ao saber que nossa rotina ia mudar foi conversar com a professora. Expliquei o que iria acontecer e pedi para que ficasse de olho e me avisasse sobre qualquer mudança de comportamento. No começo foi tudo bem, depois ela notou que Samuca estava choroso demais e há uma semana, o susto: Samuca bateu no rosto de dois colegas. Meu-filho-bateu-em-dois-amigos. Quem não entende o porquê disso ter sido o fim do mundo (além das razões óbvias de que violência não é aceita por aqui) dê uma lida nesse post, publicado há 3 meses, em maio de 2014:

http://vilamamifera.com/padecernainternet/criando-filhos-para-o-mundo/

Pois bem. Pela primeira vez Samuca foi retirado da brincadeira porque bateu, teve de ajudar a consolar os amigos e só não teve de fazer ele mesmo o curativo (praxe da escola) porque só houve ferimentos emocionais, o que não é pouco, na minha opinião. No mesmo dia que ele bateu, notei na hora do jantar que ele estava com mais fome do que de costume. Fui olhar a agenda onde as professoras anotam o que ele comeu no almoço e vi que ele não tinha almoçado. Não tinha o registro “não aceitou o almoço” e sim nenhum registro, ou seja, ele-não-apareceu-para-almoçar mesmo eu tendo o deixado na escola para isso. Pausa para respirar.

Olha a cara do Samuca de não-quero-falar-sobre-o-assunto, pai

Olha a cara do Samuca de não-quero-falar-sobre-o-assunto, pai

Apertei e ele me contou: Chegou na escola e foi direto para o parque brincar. Como tenho almoçado com ele em casa alguns dias da semana, mesmo tendo contratado o serviço da escola, as professoras não se preocuparam com a ausência dele na sala de almoço. Samuca também me contou que na hora de ir para a classe, cerca de uma hora depois da chegada na escola, pegou a mochila e foi se encontrar com os amigos sem ter passado pelo refeitório e com a maior cara de pau do mundo.

Conversamos sobre o assunto e até rolou uma sessão estendida entre nós três pelo Skype. O pai perguntando o que ele sentia, ele respondendo pouco ou quase nada e eu fazendo com que ele pensasse no assunto e dormisse mais cedo, sem assistir ao desenho da Pantera cor-de-rosa que tanto ama.

Escrevo isso horas antes de buscar o marido no aeroporto para uma temporada de 3 dias com a gente antes de mais um mês de trabalho fora. E pensando em como o pai é importante na vida de uma criança. Sem ofensa ou juízo de valor às mães que são independentes, aos casais do mesmo sexo, aos pais solteiros. O pai, no caso, é a figura paterna na qual ele já está apegado e que por motivos que a cabecinha dele ainda não consegue entender, ficou longe tempo demais.