Pedro Diniz e o filho Lucas: 18 meses sem se ver. Foto: arquivo pessoal

Pedro Diniz e o filho Lucas: 18 meses sem se ver. Foto: arquivo pessoal

Horas depois que o post contando a história do cineasta Pedro Diniz, 54 anos, foi publicado neste blog, recebi emails de alguns leitores que me perguntavam por que a mãe do menino Lucas Diniz, 9 anos, não tinha sido ouvida. Afinal, toda história tem pelo menos dois lados e o “lado” publicado foi apenas o do Pedro. A mãe do menino, Silmara, não foi encontrada para comentar as denúncias do ex-namorado, que afirma não conseguir ver o filho que criou até os sete anos há pelo menos 18 meses e de ser vítima de alienação parental. Segundo Pedro, a mãe de Lucas muda de cidade constantemente e não informa à justiça e a ele para onde vai com o menino. Foi esse o motivo pelo qual não consegui entrevistá-la. Prometi aos leitores, contudo, que assim que tivesse a oportunidade também iria ouvi-la.

Logo na sequência dois emails chegaram à minha caixa postal. Eram dela: a mãe de Lucas, Silmara Helena Requena e de Rubens Netto, padrasto do menino. Silmara começava o email com um “exijo que seja dado o direito de resposta amigavelmente senão será judicialmente!” Já Rubens afirmava esperar que “a jornalista Rita não fosse mais uma amiga de conveniência do Sr. Pedro”. O marido de Silmara disse ainda que eu era “obrigada a reescrever a verdade”. Pois bem. Mesmo o casal enviando uma série de afirmações como a de que o pai de Lucas “não tem a mínima condição de criar nem a si mesmo” e outras acusações difíceis de checar por serem altamente subjetivas e porque o papel do blog não é o do poder judiciário, Pedro em nenhum momento é citado nominalmente por ela no emails. Silmara se refere a ele apenas como “o genitor”. Propus entrevistá-la nos mesmos moldes que entrevistei Pedro Diniz. Pedi para que ela me passasse um número de telefone fixo para que pudéssemos conversar. Foi assim que fiz com Pedro, que me passou o número de telefone de sua casa em Goiânia e o de seu telefone celular. Pedro me atendeu prontamente na segunda (10/11) e na terça (11/11) por uma hora e meia no primeiro dia e meia hora no dia seguinte, quando chequei as últimas informações antes de publicar a matéria. Silmara, contudo, disse-me não ter telefone fixo. Afirmou que antes de prosseguirmos com a entrevista (exigida por ela, veja bem) eu teria de esclarecer qual o meu “relacionamento” com o Pedro. Respondi que não tenho relacionamento algum com o pai de Lucas, que sou apenas uma repórter que decidiu procurá-lo depois de assistir ao vídeo postado por ele no You Tube contando como tenta, sem sucesso, retomar o contato com o filho.  Silmara sugeriu então que eu mandasse as perguntas por email “para evitar novos mal-entendimentos” e que se algo ainda ficasse pendente ela me telefonaria, bastava eu mandar meu número celular desde que fosse de uma operadora específica.

Pedro e Lucas juntos: foto foi tirada nos 18 minutos em que passaram juntos nos últimos 18 meses

Pedro e Lucas juntos: foto foi tirada nos 18 minutos em que passaram juntos nos últimos 18 meses

E assim foi feito. Mandei oito questões e pedi para que ela se esforçasse em responder exatamente às minhas perguntas, já que por email não teria o que tive na entrevista com Pedro: a chance de contraditá-la prontamente pelo telefone. Horas depois, chegaram as respostas. Silmara disse que é empresária e que além de Lucas tem uma outra filha de dois anos com o atual marido. Afirmou que “o genitor tem direito a visitas quinzenais e a metade das férias, mas nunca se interessou em agendar nem vir”. Disse ainda que ele “abandonou afetivamente e financeiramente o seu descendente”. Complementou dizendo que o endereço para as visitas é a casa da mãe dela, em Olímpia, interior de São Paulo, que é “quase na metade do caminho” de onde ela mora hoje e Goiânia. Mas onde ela e Lucas moram? Isso não me foi respondido no primeiro email. E essa é uma das reclamações principais de Pedro Diniz. Insisti em um segundo contato que ela me desse essa informação. Informei também o número de meu telefone celular em uma tentativa de que então ela me contactasse. Quando perguntada se realmente ofereceu um apartamento em troca da guarda do filho, ela devolveu a pergunta: “Pelas atitudes de quem te passou esta estória (sic) entre outras, o que você acha desta do apartamento? Ele quer ser famoso as suas custas e a custa dos outros!”. Depois prosseguiu afirmando que Pedro “não tem o que comer e nem onde morar por não gostar de trabalhar.” Perguntei porque Lucas foi levado às pressas, sem nem arrumar as malas ou se despedir dos parentes: “Malas? Que malas? Sua ficha também precisa cair. Lucas vivia como indigente, passava fome. As poucas roupas que tinha e usava era eu quem dava até ficarem pequenas e furadas. Família? Que família? O genitor terceirizava a criação e cuidado do Lucas com qualquer um que quisesse. Ele passava fome e tinha vergonha do local onde morava e da miséria que compartilhava com outros abandonados. Qualquer novo contato com estas pessoas deverá ser de iniciativa deste bando e do genitor o que até agora, apesar de eu insistir e facilitar, não aconteceu ainda. E creio que jamais acontecerá. Este blá-blá-blá é só para tentar virar celebridade, aparecer em algum programa, estar presente na mídia e para talvez tentar enganar de novo algum juiz plantonista novato e desatento. O genitor do Lucas hoje se esconde em alguma propriedade rural próxima a Brasília, encostado em alguma mulher, para não ser achado por oficiais de justiça. Você sabe onde ele se esconde? Preste um favor à justiça e ao Lucas e nos informe por favor!”.

Pedro mora em Goiânia. E após eu insistir em saber em que cidade ela e o filho estão, Silmara respondeu com mais uma evasiva: “Quanto ao endereço, é possível informar apenas que acertei que o genitor se encontrasse quando quisesse (com o filho) em Olímpia, interior de São Paulo. O genitor causa muita turbação em toda escola que o Lucas se matricula. Incomoda muito! Causa transtorno ao Lucas e às professoras. Queria adiar um pouco mais estas chateações e constrangimentos para ele.” Silmara me pergunta então se é possível que eu envie minha matéria para ela, antes de publicar. Digo que não, que não submeto minhas reportagens aos meus entrevistados, somente ao meu editor. Que foi assim na reportagem com Pedro e que seria assim na reportagem com ela. E aqui está.

Leia a reportagem sobre alienação parental feita com Pedro Diniz, que procura o filho que está morando com a mãe em local desconhecido: Pai que perdeu a guarda do filho para a mãe do menino se veste de mulher “para ver se a justiça me enxerga”. 

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