Carolina Ferraz. Foto: Instagram da atriz

Carolina Ferraz. Foto: Instagram da atriz

Oi Carolina, tudo bem com você?

Fiquei sabendo pelos jornais e revistas que você está grávida aos 46 anos e queria te dar os parabéns. A gente não se conhece, mas temos algo em comum: fizemos tratamento para engravidar.Hoje em dia a ciência permite que o que antes era impossível aconteça. Eu sou grata à medicina por ter conseguido realizar meu sonho de ser mãe mesmo tendo um problema seriíssimo nas trompas. 

Mas não é por isso que te escrevo, não. Li que você descartou, em entrevista, ter um parto humanizado dizendo não “ter essa coisa filosófica” e que, por isso, vai ter seu filho no hospital. A expressão “humanizado” tem sido usada indiscriminadamente e virado erroneamente sinônimo de parto em casa. Mas humanizado é muito mais que isso, viu? Segundo o dicionário Aurélio, humanizar é “tornar-se humano, adoçar, suavizar, civilizar, compadecer-se”. E muitos hospitais, nas últimas décadas, têm praticado o oposto disso. Acredito, inclusive, que as mulheres voltaram a ter seus filhos em casa por causa dessas (más) práticas. Mas isso é assunto para outro post.

Queria te falar um pouquinho nesta carta sobre o parto humanizado. Começo afirmando que ele pode sim ser feito também no hospital. Basta que você encontre uma equipe médica que respeite suas vontades e o tempo do seu bebê (confesso que essa é a parte difícil, mas não impossível. Se você se ler bastante sobre o assunto e tiver sempre em mente que bebês sabem nascer e que mulheres sabem parir, o seu médico não poderá nunca te convencer do contrário). Não deixe que ninguém diga que por ter 46 anos você não pode ter um parto normal e humanizado. Se sua gravidez estiver evoluindo bem, como parece ser o caso, seu filho pode vir ao mundo da forma mais humana possível.

As mulheres que procuram um parto normal humanizado querem apenas o que na maioria dos países de primeiro mundo é básico: que o bebê nasça no tempo dele e não do médico (que muitas vezes não quer ser acordado de madrugada e nem incomodado aos fins-de-semana). Querem escolher a posição de parto (parir deitada e com as pernas para cima daquele jeito das novelas é quase impossível, sabia?). Querem ter o direito de tomar (ou não) a anestesia, não querem ser cortadas “para ajudar o bebê a passar” e querem gritar e gemer sem ouvir o clássico machista: “na hora de fazer não doeu, né?” Elas querem também que seus bebês sejam trazidos imediatamente para o peito em vez de serem aspirados, limpos ou pesados (aconchego da mãe é melhor e mais importante que ir direto para uma balança gelada, né não?). Essas mães desejam também que os médicos esperem alguns minutos para cortar o cordão umbilical porque sabem que o sangue que está lá pertence ao bebê e pode garantir que ele não tenha anemia nos primeiros seis meses de vida. Querem poder regular a luz, já que o bebê está há 9 meses em um útero escuro, escolher uma música tranquila (nada como uma trilha sonora para estrear nesse mundo, hein?) e que o bebê não seja carregado como um frango no abatedouro e nem leve um tapinha na bunda para chorar. (A gente precisa nascer apanhando e chorando?). Ou seja, o parto humanizado não é nada demais considerando que o corpo é da mulher e que o bebê também é dela, não acha?

É claro que você pode considerar que nada disso é importante, é um direito seu. É claro que você pode achar que nascendo bem, tendo os olhos e nariz nos lugares certos, está de bom tamanho. Sem dúvida. Seu corpo, seu filho, suas regras. Mas eu achei que devia dividir algumas coisas que aprendi com você. É essa a conversa que eu tenho com todas as minhas amigas grávidas. Claro que não somos amigas, mas sabe como é: a gente vê a pessoa na TV durante tantos anos que se sente próxima. E é em nome dessa simpatia que nutro por você que desejo do fundo do coração que você tenha uma boa hora e que seu filho nasça com muita saúde e paz.

Abraços,

Rita.

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