MundoMaker: Aprender brincando

As férias são sinônimo de dormir sem ter hora para acordar. De dias de brincadeiras livres. Mas será que passar uma semana inteira em uma oficina maker, um espaço de aprendizagem criativa lotado de chaves de fenda, impressoras em 3D, cortadoras a laser, motorzinhos, madeira, cola, tecidos e cacarecos em geral pode ser considerado diversão? Fabio Zsigmond, cofundador do MundoMaker Educação garante que sim, as crianças adoram os cursos de férias oferecidos pelo espaço, que conta com três unidades na cidade de São Paulo: na Vila Madalena, no Morumbi e na Berrini – que fica anexo a um espaço de co-working onde os pais podem trabalhar enquanto os filhos se divertem.

Blog: Como funciona o espaço?

Fábio:  A gente proporciona um ambiente onde eles vão aprender a se relacionar com eles mesmos, com os outros e com o mundo. Sempre através de um projeto que vão construir. Nessas férias a gente tem atividades semanais, onde as crianças podem escolher participar de turmas na parte da manhã ou da tarde. Juntas, elas vão desenvolver em grupo um projeto do começo ao fim. Pode ser uma ideia que eles mesmos propõem e que eles aprendem a executar e, no final da semana, apresentam para a turma.

Blog: Que tipos de coisas eles podem fazer? Eles escolhem entre as opções propostas?

Fábio: A gente sugere alguns projetos às crianças, dependendo da idade e da maturidade que elas têm. Mas não é 100% fechado, porque se o aluno chega lá e ele não quer fazer aquilo que a gente propõe, quer fazer uma outra coisa, ele vai e faz essa outra coisa. Mas normalmente quando eles fazem a matrícula a gente já informa as atividades mais indicadas para cada faixa etária. Cada semana oferecemos um tipo diferente de atividade. Nessas férias já tivemos “Jogos de tabuleiro com programação” e a “Cidade dos Robôs”, por exemplo, onde eles criam uma história em que esses robôs são ser personagens, aí eles usam uma linguagem de programação para iniciantes chamada “Scratch” (desenvolvida para crianças pelo MIT), que é bem simples, mas potente para quem quer começar a fazer. É como um quebra-cabeça: você vai pegando os blocos de comando e vai juntando. Se a junção for possível fazer eles encaixam, se não as crianças percebem que está errado. E aí elas vão tirando do papel essa ideia que tiveram, vão fazendo uma animação. Depois que a história estiver decidida, elas passam para o “mundo físico”, começam a construir, pegam carrinhos e desmontam, para entender seu funcionamento, e utilizam partes desse brinquedo para montar esses robôs. Também usam madeira, sucata, papelão e outros materiais para construir o que eles querem. Depois apresentam os robôs para a turma toda.

Mão na massa

Blog: Quais os conhecimentos que as crianças usam para participar dessas atividades? Elas têm que entender de robótica? Uma criança que nunca viu esses conceitos na escola consegue acompanhar?

Fábio: Consegue, claro. A gente planeja tudo de uma forma que as crianças consigam fazer. Nosso intuito é que tenha sentido e que elas consigam acompanhar, a gente costuma adequar as propostas para quem está participando. Se é uma criança que já tem conhecimento maior, já mexeu com programação, já viu alguma coisa de robótica, a gente oferece um desafio para o nível em que ela está.  Se é alguém que nunca teve contato, a gente oferece um desafio para quem está iniciando. Não precisa de nada, a criança pode chegar aqui sem saber nada.

Blog: E quem são essas pessoas que ensinam todos esses conceitos às crianças?

Fábio: A gente trabalha com um grupo de pessoas que chamamos de “mediadores”, porque estão nessa posição de mediar o aprendizado. Não vão ensinar, falando como é que faz, mas sim deixar com que aprendam. São jovens na faixa dos 20, 30 anos, que tem formações diversas: não são apenas pessoas técnicas, formadas em engenharia, física e matemática. Existem mediadores formados em psicologia, direito, ciências sociais, que são capacitadas dentro da nossa pedagogia para poder ajudar os alunos a aprenderem.

Blog: E como é essa pedagogia de vocês?

Fábio: O que nos inspira é uma filosofia chamada “aprendizagem criativa”. É um modelo baseado em quatro pilares: aprendizado através de projetos que façam sentido para a criança, que inspirem paixão e que sejam executados em pares, em grupos de colaboração. Um desses pilares é o brincar.  A criança é muito curiosa, é muito resiliente e essas características a gente quer manter no processo de aprendizagem, geralmente isso vai morrendo conforme a gente vai crescendo. No MundoMaker a gente tem algumas diretrizes: o respeito e a segurança. Se você respeitar o outro e se sentir seguro manejando todas as ferramentas que oferecemos, pode fazer de tudo lá dentro.

Blog: No que esse aprendizado é diferente do da escola?

Fábio: Acreditamos na ideia de que a coisa precisa fazer sentido para que você aprenda com ela, porque senão você esquece,  você vai lá, faz o trabalho, entrega a prova e não memoriza o que aprendeu. A escola que é um lugar mais conservador, mas está começando a se abrir a essa ideia. Não somos seres compartimentalizados, todos os aprendizados se misturam, mas na escola que eu estudei quando criança era tudo separado, você aprende matemática, depois física. O Mundomaker explora essa forma de aprender tendo como pano de fundo a alfabetização digital, no sentindo de ensinar programação, eletrônica, eletricidade básica, então dentro dos projetos existe sempre um componente que vai nessa direção, misturando com construção, madeira, papelão, cola, criação. Mas a gente mostra sem ficar falando, ó, ‘isso aqui que vocês estão vendo é programação, isso é robótica’. Todas essas habilidades adquiridas as crianças vão levar para a vida, não importa o caminho que escolherem.

Dia de apresentação do projeto

Blog: Muitas crianças geralmente passam o ano tão sobrecarregadas, fazem várias atividades extracurriculares. Por que você acha interessante que elas passem parte das férias em um espaço de aprendizagem como esse?

Fábio: Apesar de ser uma atividade de educação e aprendizagem é um outro formato. Chega na hora de ir embora e as crianças não querem ir. Elas não estão lá em uma relação aluno-professor. Como tudo faz sentido, elas se enxergam dentro do que estão fazendo, tudo faz parte de um processo criativo. Como estão ‘viajando na história’, não percebem aprendem a “colar direito”, a programar. Elas estão lá porque querem contar a história delas, fazer uma criação delas. Se quiser fazer um jogador de futebol-robô feito de tecido e tinta ou se quiser criar um carro lunar pintado de prata e com luzinhas, fica feliz porque foi ela que inventou. A gente dá uma base para ela entender como vai criar isso, mostra as possibilidades: temos motores, tintas, tecidos. Poder criar é algo que agrada demais o ser humano, é algo dá muito prazer.

Oficinas de Férias MundoMaker

Endereços:

Rua Harmonia, 896 – casa 6 – Vila Madalena

Shopping Morumbi Town – Subsolo, Loja S01 – Av. Giovanni Gronchi, N° 5930 – Vila Andrade

Berrini – Rua Jaceru, 225 – Dentro do Co. W Space – Brooklin

Datas: turmas de 25 a 29/06; de 02 a 06/07; de 09 a 13/07; de 16 a 20/07; de 23 a 27/07.

Horários: das 9h às 12h e das 14:30h às 17:30h

Faixa Etária: de 6 a 15 anos

Preço: R$ 720,00/semana/meio período (preço promocional até 31/05, com 10% de desconto)

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