Gravidez
Cada vez que uma mulher morre depois de tentar um parto em casa, o status quo comemora. Mesmo que haja uma família sofrendo, uma criança órfã. Assim foi quando divulgado hoje que a enfermeira Mariana de Oliveira Fonseca Machado, 30, Professora Doutora da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, morreu dez dias depois de… uma cesariana. Sim. O filho dela nasceu depois de uma cirurgia. Mas as manchetes afirmaram que ela morreu depois de 48 hs tentando ter um filho em casa. E embora haja poucas informações sobre a causa da morte de Mariana, a UFSCAR, Universidade Federal de São Carlos, manifestou-se sobre a morte da professora da instituição e esclareceu que Mariana chegou ao hospital para o parto em “perfeito estado de saúde”. Destaco apenas uma frase do comunicado, antes de reproduzi-lo na íntegra. “Preconceitos em relação ao parto natural e a cultura de cesariana brasileira, associados à falta de responsabilidade no compartilhamento de informações nas redes sociais e na mídia, levaram a divulgações equivocadas sobre o caso.” Aqui está uma parte da história. E desde já, meus sentimentos à família de Mariana.
“A Professora Doutora Mariana de Oliveira Fonseca-Machado, enfermeira obstetra, mestre e doutora pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto/USP, era docente e pesquisadora da área da Saúde da Mulher do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de São Carlos. Com base em seu conhecimento e acompanhamento médico durante o pré-natal, que evidenciou uma gestação sem intercorrências, aguardou a evolução para um parto natural. Assim, a Prof.a Mariana entrou em trabalho de parto no sábado, dia 11 de julho, estando acompanhada por profissional capacitado durante todo o processo. Para continuidade do trabalho de parto, encaminhou-se ao hospital no início da noite do mesmo dia, chegando ao local em perfeito estado de saúde. Algumas horas depois, Mariana foi submetida à cesariana, tendo a oportunidade de pegar sua filha no colo e amamentá-la. Posteriormente, foi encaminhada ao quarto junto com sua filha e, poucas horas depois, iniciou um quadro de complicações, que resultou no trágico desfecho. Infelizmente, preconceitos em relação ao parto natural e a “cultura de cesariana” brasileira, associados à falta de responsabilidade no compartilhamento de informações nas redes sociais e na mídia, levaram a divulgações equivocadas sobre o caso. Dados científicos indicam que a cesariana aumenta o risco de morte materna em 3-5 vezes, comparada ao parto normal. Dentre todas as causas de morte materna a hemorragia é a mais frequente delas. Em solidariedade à família da professora Mariana, o Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de São Carlos manifesta seu profundo repúdio às manifestações sensacionalistas veiculadas. Como instituição dedicada à promoção de conhecimento, convidamos toda a comunidade à reflexão e colaboração para que a verdade deste triste episódio seja esclarecida, contribuindo para a melhora do cuidado à saúde das grávidas do Brasil.
São Carlos, 24 de julho de 2015.
Follow Coordenadoria de Comunicação Social on Twitter
Coordenadoria de Comunicação Social – Universidade Federal de São Carlos Telefone: (16) 3351-8119″
—————————————————————————————————————————————————————————–