Hot Beach Olímpia. Imagens: Divulgação

Na década de 50 a Petrobras fez perfurações no subsolo de Olímpia, a 435 km de São Paulo, em busca de petróleo. Não encontrou, mas descobriu um tesouro que a cidade só perceberia o quanto era valioso muitas décadas depois: o Aquífero Guarani, um reservatório de águas quentes, que chegavam a 38°C. “Em vez de jorrar o ouro negro, jorrou o ouro branco”, brinca José Antônio Arantes, consultor de marketing do Thermas dos Laranjais, parque aquático que nasceu como clube em 1987, em uma iniciativa de empresários de Olímpia para aproveitar as águas termais para a diversão dos moradores da cidade.

Aos poucos o clube foi aberto ao público e não parou de crescer até que virou um parque aquático de 300 mil metros quadrados com mais de 55 atrações – ano passado o Thermas trouxe à pequena Olímpia, cidade com 53 mil habitantes, cerca de 2 milhões de visitantes. “Fomos o terceiro parque mais visitado do mundo. Vamos aumentar nossa capacidade de visitação para 30 mil pessoas por dia e em dois ou três anos estaremos brigando pelo primeiro lugar”, promete Arantes, que garante que a maioria das atrações do parque, como complexos de toboáguas, piscinas de surfe, praias artificiais e até uma montanha-russa aquática são indicadas para todas as faixas etárias, embora as crianças maiores de 6 anos tenham “mais opções de diversão”, esclarece.

A montanha-russa aquática do Thermas dos Laranjais. Foto: Divulgação

O Thermas dos Laranjais obrigou Olímpia a crescer. De 1980 a 1989 a cidade tinha apenas 284 leitos. Na década de 90 as vagas mais que dobraram e a cidade chegou a disponibilizar 755 vagas em hotéis e pensões. Em 2010 já eram pouco mais de 3 mil, em 2015 8.560 e até o final de 2018 a cidade deve ter cerca de 22 mil leitos disponíveis entre hotéis e pousadas, comemora o Secretário de Turismo da cidade, Selim Jamil Murad, que promove pesquisas mensais sobre a atividade econômica que já é responsável por 68% do faturamento de Olímpia. “Cerca de 80% dos turistas que nos visitam são famílias com pelo menos dois filhos”, conta.

E foi de olho nesse público que outros empreendimentos começaram a surgir como o Hot Beach Olímpia, inaugurado ano passado tendo como público alvo as famílias com crianças pequenas, de até três anos. Um dos três hotéis que fazem parte do complexo, o Hot Beach Resort, fica dentro do parque aquático, oferecendo um acesso exclusivo para os hóspedes, que podem entrar e sair à vontade. Se a criança cansar de brincar nas piscinas de ondas e nos toboáguas, os pais podem voltar para o quarto para descansar e, se quiserem, retornar mais tarde para o parque. Segundo o Diretor de Operações, Marketing e Vendas do Hot Beach, Manoel Carlos Cardoso, todo o complexo foi pensado para oferecer grande conforto às famílias. “Criamos um ambiente propício aos que querem fugir de São Paulo sem se estressar com aeroporto e avião. A ideia é que estacionem o carro quando chegam e só peguem o carro na hora de embora.”

“Pé na areia” no interior de São Paulo. Foto: Divulgação

Embora o Hot Beach Olímpia ofereça atividades mais tranquilas para as crianças menores e para os pais, como praia com areia fofa e branquinha, coqueiros e espreguiçadeiras, os ‘maiorzinhos’ também se divertem, garante Cardoso. “Temos torres de toboáguas para a moçada que quer algo mais radical”, explica. Não é preciso estar hospedado no complexo para frequentar o parque aquático, mas os hóspedes são maioria: “Oferecemos um ambiente mais controlado”, garante.

Crianças são a alma do negócio

Em tempos de hotéis e restaurantes “child free” que anunciam ao mundo, sem vergonha, que as crianças não são bem-vindas, a hotelaria de Olímpia está sendo pensada para agradar os pais e, que quebra, os pequenos. O Enjoy Hotéis e Resorts, construído próximo ao Thermas dos Laranjais e inaugurado há pouco mais de dois meses, foi todo pensado e projetado para receber bem as famílias. A prática de ter de ‘se virar’ para encontrar onde esquentar papinhas ou mamadeiras, um dos pesadelos de mães e pais, é coisa do passado. “Se a gente quer ser um lugar  voltado para a família, precisamos oferecer algumas coisas, como copa com microondas e mini geladeiras em todos os apartamentos, tevê a cabo com todos os canais infantis, cama para todos que estão hospedados. Nada de camas king size, isso não faz sentido. Se você tem uma família de quatro pessoas precisa de quatro camas, se são seis pessoas precisa de seis camas”, afirma Alexandre Zubaran, CEO do empreendimento. “Eu não acredito na hotelaria ‘eu atendo todo mundo’. Por isso, quando o arquiteto falou que tinha uma área bacana para construir um espaço de convenções eu disse: em vez disso vamos construir academia, sala de cinema e uma brinquedoteca grande, de verdade, não aquela pequeninha que fica num cantinho do corredor. A gente projetou algo 100% voltado para a família”, conta, orgulhoso.

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Crise? Que crise?

Em tempos de dólar alto, encarecimento das passagens aéreas – com a taxação das malas e em breve sobre a marcação dos assentos – e orçamentos mais apertados por causa da crise, Olímpia não tem do que reclamar. Pelo contrário. Tem certeza que foi beneficiada por esse cenário controverso.  O Diretor de Operações, Marketing e Vendas do Hot Beach, Manoel Carlos Cardoso, comemora os bons resultados. “O mês de julho para a gente não está refletindo a situação de crise no Brasil. Eu tenho a percepção que a subida do dólar está mudando o padrão de viagem das pessoas. Quem viajava para fora agora escolhe um destino dentro do país”, opina. José Antônio Arantes, do Thermas dos Laranjais, concorda. “Talvez a gente nem sinta os efeitos da crise.” Já o Secretário de Turismo de Olímpia, Selim Jamil Murad, aposta que o sucesso da cidade tem a ver é com a simpatia dos moradores da cidade. “É o nosso jeito caipira de receber bem”, brinca.

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