“Você sabe o que te faz feliz?”, era o que perguntava o lambe-lambe grudado em um poste nesta selva de pedra que é São Paulo, em plena primavera. Que perguntinha mais chinfrim, não é? Claro que todos nós sabemos o que nos faz feliz. Só para elencar alguns dos itens da minha lista: jantar com as amigas, meu namorado, a família reunida no sábado, viagens, sorvete de menta com chocolate, filmes bobos, livros bons. Entretanto, não deveríamos desconfiar dessa mania de “hashtag ostentação”?  Essa coisa de #lovemyjob e todas as #soumuitofeliz, #amooqueeufaço #lovemylife. É evidente que muita gente posta fotos e coloca essas legendas porque se trata de algo realmente genuíno. Mas, algumas vezes, esses slogans podem causar certa ansiedade nos outros.

Nada mais natural do que querer dividir com as pessoas os momentos em que você está plena e contente. Mas claro que ninguém é 100% feliz o tempo todo. Como em tudo, há dias bons e dias ruins. Mesmo que você #loveyourjob, existem brigas com o chefe, rivalidades de equipe, problemas com a nota fiscal, uma encomenda atrasa, o telefone celular que para de funcionar bem na hora que você mais precisa. Essa coisa de um trabalho quase que “idílico” é muito rara. Além do que, a vida muda, não é? Os interesses também. Você pode ter uma crise com seu emprego aos 40. Querer e ter coragem de sair. Ou não. Preferir ficar, porque tem outras prioridades. Ora, as pessoas tomam decisões difíceis o tempo todo: mudar de casa, se divorciar, engravidar, mudar o filho de escola, parar de trabalhar, virar vegetariano, vender o carro para pagar as contas, sei lá.

Saber o que nos faz feliz não é difícil. O mais complicado é saber conviver com momentos “normais”, em que a felicidade não é plena. Como aqueles sábados meio “tediosos”, nos quais você liga para trezentas amigas e nenhuma delas corresponde ao seu desejo de ter um mega fim de semana animado. Ou viagens cheias de expectativas que acabam se revelando meio mornas, porque a turma que foi junto não teve uma boa sinergia. Ou, ainda,  trabalhos nos quais você se dedica muito – porque #loveyourjob – e que não são reconhecidos da maneira como você gostaria. Sabemos que a vida real não é cinema. Ainda bem. Senão, não sobraria espaço para o sonho. E é bom poder aproveitar os momentos (verdadeiramente) incríveis; se emocionar em alguns casamentos (não em todos); curtir algumas viagens (não todas); desfrutar de um bom jantar (e não qualquer um). Só assim sempre restará um fiozinho de fantasia e algum espaço para pensar “eu sei o que me faz feliz?”. #lovetodream, #ordinarylife.

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