Fazer uma coisa pequena. Que tenha a nossa cara. Sem afetação. Pequena mesmo não dá, porque tem que caber todos os amigos. Todos não dá, porque são muitos que fizeram parte da nossa história (ou da história individual de cada um). Então não é pequeno, mas não é grande.  Mas que seja bonito. Que tenha emoção. Mas sem aquela coisa de todo mundo chorando com ar triste. Pode chorar, mas pode dar risada também. Chorar só se for bonito porque, com tudo de horrível no mundo, a gente ainda se emociona com coisas bonitas. E que seja leve – dentro do possível – mesmo com todas as exigências e desejos de todos que cercam o casal. Que a gente saiba casar as vontades: nossas, dos pais, dos amigos, dos anjos e dos orixás. Que agrademos a todos – ou quase todos – sem deixarmos de nos agradar.

Fazer uma coisa que não seja um absurdo de cara. Porque uma maquiagem não precisa ser de cifras monumentais para ser bonita. E tenha afeto nos detalhes, a participação de queridos: a decoração da amiga, o doce da prima, o brinco da mãe. Com ou sem buquê?  E, se tiver buquê,jogar ou não jogar? Talvez jogar e convidar não só as mulheres, mas também os homens solteiros. Afinal, por que esse ritual envolve só as mulheres?

Pensar em um vestido bonito, mas morrer de vergonha só de imaginar todo mundo olhando para você. Ser uma noiva discreta é, em essência, uma contradição? Fazer uma coisa pequena. Que tenha a nossa cara. Sem afetação. Chamar amigos para comandar a cerimônia celebrar esse momento de amor com a gente. Ver os pais felizes. Encher uma casa de flores e de votos positivos. Não vai ter padrinho? Não. Não vai ter havaiana? Não. Não vai ter bem-casado? Não. Mas vai ter amor. De todos os lados. Assim esperamos. Que tenha a nossa cara.

Lidar com os ciúmes. Amigas, tias, primas. E por que casar quando já são, na prática, casados? Porque deu vontade. Deu vontade de dançar junto e de brindar. Deu vontade de juntar as famílias e fazer essas coisas clichês que às vezes dá vontade: subir na Torre Eifel, comer canole no Juventus, tirar foto no Central Park, montar árvore de Natal,  usar um colar de pérolas, fazer brigadeiro de colher com as amigas e … casar. Sem chuva de pétalas de rosa, sem marcha nupcial. Mas com a nossa cara, do nosso jeito. Que difícil, isso.

Músicas variadas para todos os gostos. Eu, Marcelo Camelo e Frank Sinatra. Ele, Iggy Pop e Margareth Menezes. Imagina… colocar véu? Nem pensar. Flores sim. Com a nossa cara. E como é a nossa cara no meio da vontade de todos? É assim. Só a gente sabe. Uma coisa pequena, em que caiba um terço do que a gente gostaria de ter, cheio de abraços da família, uma base que aguente bem a maquiagem, um caminho cheio de florzinhas brancas. A vida pode ser isso, acho.