Tudo começa com o Facebook. Depois, inocentemente, um perfil no Instagram e, quando você percebe, já está com uma ressaca de tanto tempo navegando. Nunca fui uma pessoa propriamente digital. Sempre tive uma vida pulsante e feliz fora da tela. No entanto, de uns tempos para cá, parece que uma parte substanciosa do mundo acontece virtualmente. Por exemplo, você não precisa ir à exposição da Yayoi Kusama no Tomie Ohtake, porque tanta gente posta as obras, que você acaba vendo sem nem ver. E isso se repete com aniversários, casamentos, lançamentos de livro. Normal, gente. Até aí sem crise. Se as coisas postadas fossem desinteressantes, não ficaríamos de olho logo nos primeiros minutos do dia, quando desligamos o despertador e, com o celular em punho,  já damos aquela conferida nas redes. O problema é quando fica over. Esse é o momento de começar o “detox”. Essa expressão chegou mim pelas maravilhosas amigas da Contente, que refletem e sabem como se relacionar de forma saudável com a internet.

Assumir o excesso é o primeiro passo. Reconhecer que está consumindo muita porcaria na internet ou que lê 3000 coisas sobre um assunto que não te interessa, por exemplo. Cada um tem que saber seu limite e identificar o momento de “tomada de consciência”. O meu foi na semana passada. Depois de ver as 947836589450295 fotos do casamento da Preta Gil que apareceram na minha timeline, ficar um pouco perplexa com tudo aquilo, ainda assim entrar – por uma curiosidade mórbida – na hashtag #pretaegodoy, e depois ler o que Marcelo Rubens Paiva e outros colunistas escreveram sobre o assunto, pensei que precisava dar um tempo. A razão é simples. De verdade: não me interesso pelo casamento da Preta Gil. Não quero saber qual foi a estilista, quantas rosas teve, quantos milhões ela gastou, nem quais eram as “surpresas a cada meia hora” que ela prometeu aos convidados. Entretanto, uma força internética parece que nos leva a clicar para ver os vestidos, selfies, análises sociológicas sobre, lembremos, o casamento da Preta Gil. Então,depois da minha terça-feira perdida com a Preta Gil, decidi que era hora de começar meu detox.

A primeira atitude foi perceber que não são apenas as coisas fúteis que nos levam ao buraco virtual. Independente do assunto, ficamos com uma leitura muito fragmentada. Quem nunca passou por uma chamada de matéria, no Facebook, que interessou muito, mas não dava para ler na hora e, a noite – no sossego do lar – foi tentar achar e “quedê”?  Vocês sabem, nem adianta procurar oito horas depois, porque Mr. Zuckerberg não deixa nada igual. Assim sendo, a ideia é voltar um pouco ao analógico. Nada de ir para o mato sem conexão e abraçar árvores. O detox é como de alimentação: é uma questão de substituição. Por exemplo, substituir o whatsapp por uma ligação. Ou se propor a terminar um livro, no lugar de lotar a cabeça com textos fáceis e curtos. É deixar os instagrams de moda quietos e comprar uma revista legal. Tomar um café na padoca sozinha e olhar as pessoas mexendo na chapa, fazendo um suco, sem precisar da companhia do celular ou redes (nas quais todo mundo vai estar postando o jogging e abdominal enquanto você está comendo pão na chapa). Entendem?

O detox começou faz pouco tempo, mas está indo bem. Já perdi alguns quilos virtuais. O exercício é chegar em casa e dar um espaço para o silêncio. Ficar sem ligar o computador depois do trabalho. Perder de vista o celular durante as viagens.  Sem neura de ver ou de postar. Resguardar a intimidade, sem precisar exibir o amor para os outros. E definitivamente, não conferir eventos de famosos. Mas vocês sabem, como dizem todos os experts em detox, o segredo está no equilíbrio.

Boa sorte.

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