Começo de ano é realmente uma delícia. Por mais que a passagem seja praticamente psicológica, afinal de contas poucas coisas mudam do dia 31 para o dia 1º, existe algum sentimento coletivo de renovação que é ­–pelo menos para algumas pessoas — contagioso. Não se trata só das ondinhas, 12 uvas, velas, Iemanjá e simpatias mil… mas, de uma certa disposição interna para pequenas mudanças. Nada de grandioso, não. Apenas um tímido sentimento de “tirar da frente” algumas pendengas. Não é mudar de país, divorciar-se ou trocar de emprego. E sim ter coragem para realizar leves mudanças de comportamento que causam um bem danado.

O ano começa e, para muita gente, essas pequenas atitudes têm até um caráter terapêutico. Limpar o armário e preencher com  novas cores e estilos. Lavar o carro e começar o ano com a casa arrumada. Comprar flores e perfumar os ambientes de forma trivial. Jogar fora os livros de colorir do ano passado, papéis de todas as ordens: notas fiscais de celulares antigos, bilhetes de amigos que não são mais amigos… Enfim, abrir espaço. A virada do ano pode ser isso: abrir espaço. Não precisa ser para o novíssimo. Pode ser para aquela cisminha que nunca consegue se realizar. Sem grandes ousadias. Apenas fazendo um exercício mental do que você deseja para o ano. Pode ser o ano de “me cuidar”. De cuidar da família. De ser mais gentil. De ser menos gentil gratuitamente.  Ano de hidratar mais a pele e começar a usar — a sério — protetor solar. De ler algum clássico para se desintoxicar das redes sociais. Esse pode ser o ano de conseguir fazer pequenas coisas prazerosas que, por força do dia a dia, acabam dando preguiça: cinema, livrarias, achar uma cor de batom nova que fique linda em você. Pode ser o ano de se ocupar menos de polêmicas bobas como blogueiras fitness, proselitismo politico ou a cor do vestido ( era azul e preto ou branco e dourado?). Pode ser  ainda o ano de desistir de buscar uma salvação espiritual e tentar ser feliz consigo mesma. Do jeito imperfeitão que você (e todo mundo ) é.

Vocês, meus amigos e leitores, dirão: “Chega desse texto clichêzão. E tempo para fazer isso tudo?” Talvez o maior desafio seja achar esse tempo — que é muito mais interno do que externo.  Vivemos essa grande “hiperconsciência da falta”. De tempo, dinheiro, disponibilidade, empatia. E, gente, não existe fórmula para vencer isso. Esse sentimento de que sempre estamos “para trás” de algo é da vida mesmo. Parece que estamos constantemente nos justificando porque não conseguimos fazer as coisas. Então, o jeito é dar uma respirada e entrar no clima da renovação. Réveillon é lindo. É colorido, musical, letárgico e feliz. Por isso, com ondinhas puladas e armário recém-arrumado, desejo a todos tudo de bom que é clichê : alegria, dinheiro no bolso e saúde para dar e vender.

Ah, e uma bela dose de risada com a Ivete Sangalo. Porque todo mundo merece! 😉