Há pouco tempo -recém-saída de um túnel chamado puerpério – fui apresentada a uma nova modalidade de vida: a da “pracinha”. Desde que a areia foi liberada para minha filha, temos passado muitas de nossas manhãs nesses raros espaços – considerados pequenos pingos de natureza em São Paulo- as praças.

É preciso dizer que frequentar a pracinha nos trouxe de volta, verdadeiramente, um pouco de vida. Em meio filhos recém-nascidos e uma vida digital intensa, quase que não encontramos pessoas de verdade. Vá lá, sempre tem uma amiga engajada que topa o programa que inclui criança. Mas, no geral, toda a vida com filhos pequenos  começa por volta das 6:30 da manhã e nem os mais corajosos costumam acompanhar. Quando a cidade começa a acordar você praticamente já está na hora do almoço. Nesse contexto, o que salva a vida oferecendo uma nesga de sol? A pracinha. Quem tiver a sorte de chegar em uma praça, com espaço adequado para crianças (isso quer dizer, cercas para evitar os cachorros e outros itens de segurança) vai encontrar lá um belo ecossistema de novos pais em busca de conversa, troca e, por que não, uma amizade frugral, passageira, ou até para vida inteira?

Nesses meses que temos frequentado a praça perto da nossa casa já vimos de tudo. Pais sem jeito que aprendem, como nós, o que fazer quando seu filho rouba o brinquedo da mão do outro. Pais irritados. Pais felizes e eufóricos. Pais, avós, cuidadores. Aprendendo como ensinar a brincar junto. Como fazer um castelo de areia. Como lidar quando seu filho não quer sair do balanço. Como elaborar um pic nic. Conflitos sobre o público e o privado se apresentam a cada instante e o desafio é bem por aí: a praça é de todos e cada um tem sua marca por lá.

É dia de praça, bebê. E lá, para quem sabe aproveitar, pode ser uma espécie de balada. É ao ar livre. É ao vivo. É de graça. É randomicamente interessante. Não raro pais e mães começam conversando, entre um escorregador e um balanço,  sobre o tempo que melhorou, sobre o chá para ajudar na tosse da criança e, quando percebem, estão trocando confidências sobre as dores e as delícias da nova maternidade/paternidade, dicas de filmes no Netflix e até posições políticas.

Quem acha que a vida se restringe ao Whatsapp recomendo uma passada em alguma  praça e uma boa manhã de conversas. Sei lá, a gente começa a acreditar na humanidade de novo.