Não é difícil a gente escutar por aí, em uma discussão ou outra, que “mulher só gosta de futebol na Copa”. Mentira pura. É só olhar as torcidas de futebol, os closes dos cinegrafistas, a mulherada está nas arquibancadas e não é de hoje. Tenho muitas amigas que são fanáticas pelos seus times. Algumas perdem a voz no Brasileirão, têm tatuagem e, se o namorado torce pelo adversário, é questão de separação. Então, não, não é verdade que mulher só gosta de futebol na Copa, mas é bem verdade que as mulheres que normalmente não se interessam por futebol, acabam seduzidas pela manifestação coletiva da Copa. Ora, é muito difícil você não se encantar com a trajetória dos jogadores brasileiros, naqueles perfis superapelativos e emocionantes que eles fazem na televisão. Cada história é digna de um documentário próprio. Esses meninos graciosos e guerreiros que vencem as dificuldades das peneiras e se jogam no mundão.

(Foto:Reprodução)

Os bons filhos que fazem as mães chorarem na TV contando episódios trágicos, dificuldades físicas, financeiras, capítulos típicos desse nosso Brasilzão. Como resistir, eu pergunto? Aí vem o cara e fala: “É, mulher só gosta de futebol na Copa”. Bom, talvez as mulheres que não se interessam por futebol acabem sucumbindo à Copa porque exista esse sentimento materno que grita para a gente, dizendo: “Olha que fofo o David Luiz!” ou “não bate no Neymar, seu cavalo”. E esse sentimento de amor súbito e maternal pelos jogadores brasileiros passa depois da Copa? Passa, claro. E, muito provavelmente, daqui a dois ou três anos, você pode não se lembrar se era David Silva, Gilberto Luiz, Thiago Junior ou Roque alguma coisa…  Não que isso importe. Porque os momentos que ficam marcados da Copa são diferentes para a maioria dos homens e mulheres. Os meninos – por mais que tenham bode da seleção e sejam muito mais fiéis a seus times – sempre sabem de cor o que aconteceu nas vitórias e eliminações do Brasil em todas as Copas. Alguns têm as escalações na ponta da língua. Além dos brasileiros, sabem os nomes dos carrascos da Itália, Argentina, França… As mulheres, bem, normalmente, não. A relação costuma ser mais emocional e imagética. A gente se lembra com quem assistiu ao jogo, se estava um clima bom, do bom ou mau humor do seu namorado, do almoço de família depois da final, da festa e do Cafu levantando a taça, dizendo para a mulher “Regina, eu te amo”- dessa eu me lembro!

Sentimento quase incontrolável – e para não dizer feminino, também – é uma compaixão pelos que estão perdendo. Muitas mulheres torcem para os “nanicos”. Quem não simpatizou com os jogadores da África do Sul – Bafana Bafana – dançando antes de entrarem no campo? Esse sentimento é alimentado mais ainda pelas televisões. É o fim da picada que, depois de um time fazer gol, a câmera vai lá e dá close na cara do goleiro, coitado. E, em seguida, fazem questão de filmar algum garotinho, no meio da arquibancada, que atravessou o mundo para ver seu time, que acabou de ser eliminado. Sim, acho que sou uma torcedora ruim, porque sempre torço para os times que estão perdendo. Menos o Brasil, claro. Não quero ver o David Luiz chorando nem o Neymar revoltado, principalmente porque eles têm esse sorrisinho maroto. A pergunta é: será que o Thiago Silva (ou Thiago Souza ou Thiago André) também dedicará a taça para a mulher dele? Estou esperando para ver.

Me acompanhe no Twittter@maneustein

Leia mais textos do Sem Retoques : http://blogs.estadao.com.br/sem-retoques/

Posts relacionadosamizades tardiasfifi de mulhermuheres solteiras; perfume de mulher ;Amigas:quem tem sabeserá que vou dar conta? Que filho darei para o mundo? mãetá trabalhando, tá namorando?; feita com muito esmero