Não tem sido incomum escutar ou observar atitudes – tímidas ou explicitas- que criticam a valorização do coletivo. Fico pensando de onde isso vem.

Desde que minha filha nasceu é uma preocupação nossa, minha e de meu marido, que ela seja socializada de maneira natural e que aprenda a cultivar sua relações descobrindo o afeto, a empatia, a noção do outro. Mas, claro, nem todo mundo pensa assim. O que não teria problema,  em tese –  já que vivemos em sociedade e é necessário respeitar o outro.

No entanto, percebo que nem todo mundo valoriza o coletivo e existe uma grande onda aí, cada vez mais amparada por diversas esferas, que prega justamente o contrário. As necessidades próprias, a individualismos, discursos mimados e pais que ensinam seus filhos que o importante é o que eles sentem e nada mais. O caso do pai que segurou uma criança bater é o extremos disso. Mas o extremo só existe porque um campo vai sendo formado para que isso aconteça.

Além disso, é preciso chamar a atenção para uma superficialidade talvez intencional de muitas pessoas que adoram usar termos bonitos, mas que não colocam isso em prática. Mulheres que amam falar em sororidade, mas praticam atitudes condenáveis com suas colegas de trabalho, por exemplo. Outros que acham que têm muita consciência social, mas humilham os mais fracos. Não adianta saber falar sobre as coisas. A vida não é uma rede social. É preciso internalizar e praticar essas atitudes. É preciso honrar essas palavras. Óbvio que não estou falando em abraçar árvores ou sair todo mundo achando que se ama. Mas é simplesmente olhar para os outros – iguais ou diferentes – com dignidade.

dignidade: qualidade moral que infunde respeito; consciência do próprio valor; honra, autoridade, nobreza . (dicionário Hauaiss).

Ninguém perde com a gentileza. Ninguém perde com a empatia (a verdadeira). Ninguém perde com a solidariedade. Ninguém está tentando roubar o que é seu (ou dos seus filhos), tirar seu lugar na empresa, desejando que você se dê mal. As pessoas, na maioria das vezes, só estão tentando viver suas vidas, conservar um pouco de bom-humor, ir e voltar para o trabalho com tranquilidade e conservar seus laços afetivos. Contribua pra isso. Não jogue contra. O mundo já está muito difícil para lidar com grosserias gratuitas e egoísmo extremo. Está na hora de olhar verdadeiramente para o outro e ser olhado também.

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