Não tem um dia que não apareça, na minha timeline, um texto, vídeo, campanha, que não fale de assuntos feministas. Fico orgulhosa e contente de poder ler, trocar, participar dessa ebulição, com mulheres e homens contribuindo para a mudança de paradigmas que deverá vir por aí (oxalá). Debates acontecem diariamente, em diversos grupos com gente de diferentes idades,  profissões, estilos. E as reivindicações e queixas são sempre parecidas: a desigualdade de oportunidades, diferença salarial brutal e o machismo no meio de trabalho. Quando a discussão fica mais pesada aparecem questões como cantadas desnecessárias em ambientes públicos, assédio sexual e  violência doméstica. Tudo legítimo e posto. E, falando sobre todos esses assuntos, tratando e apontando cada uma dessas marcas históricas, esperamos que a igualdade, a passos largos ou de formiguinha, chegará para nós.

Entretanto, mesmo com esse conteúdo sendo discutido, existem questões que – não sei por qual razão –  ficam periféricas. Queria, aqui, adicionar elas ao debate, pode? Na maioria das mesas redondas feministas (nas quais eu tenho ido ou lido sobre), é como se o discurso do empoderamento da mulher – essa que luta por salários iguais, tarefas domésticas compartilhadas e mais mulheres em posições de liderança – deixasse de lado outras questões. Muito se fala sobre aumentar a licença maternidade, ou lutar pela licença paternidade, por exemplo. Mas pouquíssimo se fala sobre a mulher que escolhe não ter filhos.  E o preconceito que ela sofre com aquele olhar de “ela é bem sucedida, mas, também… coitada, não teve filhos”, como se uma coisa anulasse a outra.  Por que não falar mais sobre isso?

Muitas opressões e desigualdades das mulheres estão postas na mesa. Estão nas rodas de conversa, nos fóruns online, nas campanhas na internet, nas propostas de lei. Outras ficam esquecidas. Por que, por exemplo, uma mulher solteira é olhada de maneira diferente? De que forma esse olhar influencia na autoestima dela? Qual é o impacto desse tipo de machismo? E quantas mulheres ainda se mantém casadas não por uma questão financeira, mas porque não bancam estar sozinhas em eventos públicos ou assumir a solteirice para seus colegas de trabalho? Por que as mulheres que optam pela solteirice são quase sempre tachadas de “encalhadas”,  “solteironas”, entre outras coisas mais grosseiras e misóginas? Não será essa uma forma cruel de machismo pouco debatida? Claro que há quem fale sobre esse assunto, como a escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie. Mas, ainda assim, não está nas campanhas das empresas e nem nos anúncios de batom. Por que uma mulher que ganha o mesmo que o homem, que chega em uma posição de liderança, ainda é cobrada a dar satisfações de sua vida pessoal em seu meio de trabalho?   

Podemos aproveitar esse momento, tão frutífero em termos de conteúdo e comunicação, para ampliar a discussão e agregar mais assuntos nessa agenda que está bombando como nunca.