Não demorou muito para você perceber. Lá pelos cinco anos já se deu conta que era uma pessoa “família”. Família mesmo. Do tipo que adora estar com os pais, tios, primos, irmãos. Seus e dos outros.  E, por mais que a vida tenha tentado te levar, em vários momentos, para longe do núcleo familiar, parece que um imã sempre te puxa para perto deles. Estar com família é, para você, muito bom. Não é chato viajar com seus pais, não é ruim ir no aniversário da cunhada, você morre de saudade da sua irmã quando ela está longe e adora rever seus primos que moram no interior. Sim, você é uma pessoa “família”.

Talvez, na adolescência, em algum momento, alguém pode ter olhado e pensado “Ih… aquela ali não sai debaixo da asa”. No entanto, amigos, não se trata de asa. Ou talvez se trate, e aí, sorte de quem, como eu, tem uma asa quentinha por perto. Mas, acredito, ser uma questão de ambientação. Você é do tipo que gosta de conversar com o tio bonachão da sua amiga no casamento dela? Adora ouvir as histórias que o avô português do seu amigo conta de quando chegou ao Brasil?  Fica fascinada quando as pessoas falam de lembranças familiares? Chora de emoção quando segura a filha recém-nascida da sua melhor amiga? Se empolga no parabéns do aniversário de três anos do seu sobrinho? Meu amigo, bem-vindo. Somos família e é isso aí. E entendam por família o que cada um considera como família. Não há regras ou leis que determinam como se dá ou se recebe amor. Isso vem de dentro.

Ser “família” não significa ser melhor do que ninguém. Como tudo na vida tem o lado bom e o lado ruim. O lado bom é óbvio: segurança, chuva de afeto, intimidade, confiança. O lado ruim é nunca faltar gente para opinar na sua vida com o maior tom de “sei o que é melhor para você”,  levar muito a sério a expectativa da família quando deveria escutar a si mesmo, aguentar cônjuges inconvenientes dos seus familiares que se acham íntimos e, claro, atender os eventos familiares que parecem ser …  infinitos. Portanto, ser família não é “bolinho”, não. Mas parece não ser uma escolha, senão uma natureza. É para quem gosta e sabe lidar com intensidade, pois em família nada é superficial. As coisas são todinhas exageradas. Desde as notas de matemática, mentirinhas “brancas”,  bicicletas quebradas, até as grandes decisões: casamentos, separações, mudanças de casa. É tudo muiiiiiiito de tudo. Competições, ciúmes, disputas de atenção, estão todas essas emoções ali no pacote. Também as cumplicidades, segredos, jogos de futebol de sábado, soneca depois do almoço, a tranca dos feriados chuvosos. Todo mundo está intensamente envolvido na escolha da escola do caçula, no sabor da pizza de domingo ou na gravidez da prima. Todo mundo escrevendo uma história coletiva.

Por isso, acredito que conviver com família é um belo exercício de sair de si. Deixar o “umbigo” de lado e aprender a ceder, dividir e acima de tudo ouvir. Não faltará colo quando precisar de colo e nem opiniões espontâneas. Brigas e amor. É só isso. E isso não é pouco.

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